Ex-diretor do ONS diz que gestão da demanda pode diminuir a dependência em termelétricas

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O ex-diretor geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) Luiz Eduardo Barata afirmou que focar em gestão da demanda para grandes consumidores, em vez da oferta, e atuar em eficiência energética para todos os consumidores são soluções viáveis para que o país deixe de depender tanto das termelétricas movidas a gás em momentos de crise hídrica.

Segundo ele, o governo entende essa fonte como uma “segurança energética” que é acionada quando “a crise se apresenta”. No entanto, para Barata, outras energias renováveis também podem garantir segurança.

Questões climáticas
O último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mostrou que é preciso reduzir em 70% o uso do gás natural até 2050.

De acordo com o relatório, essa é uma das medidas a serem tomadas para evitar um aquecimento superior a 1,5ºC do planeta Terra. Outras ações a serem adotadas são extinguir o uso de carvão e reduzir em no mínimo 60% do uso do petróleo.

O gás natural é considerado uma fonte de energia de transição para outras mais limpas, como a eólica e a solar. Em 2021, o segmento foi o segundo que mais cresceu no país, com uma expansão de 32,39%, segundo a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

O primeiro lugar ficou com a energia eólica que correspondeu a quase metade do acréscimo total de potência no ano, totalizando 48,85%. O percentual garantiu que o país fosse, pelo segundo ano consecutivo, o que mais instalou eólicas em 2021. Os dados da GWEC (Global Wind Energy Council), publicados na última segunda-feira (4), mostram também que o Brasil é o sexto colocado no Ranking Mundial de Energia Eólica.

Custos 
O uso de termelétrica a gás e carvão, que são fontes de energia com custo mais elevado, em momentos de crise hídrica encarecem a energia elétrica. Em outubro do ano passado, por exemplo, esses fatores somados permitiram que a bandeira da escassez hídrica fosse criada e adotada.

Barata destaca que “as térmicas que foram contratadas [durante o período de falta de recursos hídricos], foram contratadas a valores cinco, seis vezes superior ao custo unitário padrão de usinas térmicas a gás”.

Porém, o ex-diretor do ONS destaca que o objetivo não deve ser eliminar o uso dessa fonte por completo, afinal existem regiões, como a Sudeste, em que a infraestrutura termelétrica “está avançada”.

Para ele, utilizar fontes eólicas no Nordeste e no Sul, devido à quantidade de ventos nessas regiões; e instalar parques solares em cidades do Sudeste com menor desenvolvimento econômico, para diminuir o custo da energia, seria ideal.

Uso de termelétricas 
Além das questões econômicas para o consumidor final, Barata também destacou que o investimento do governo em termelétricas neste momento só poderá ser utilizado “quando não precisarmos mais”.

“A interferência do poder político está fazendo com que tenhamos 8 GW (gigawatts) de térmicas em locais onde nós não temos nem gás nem gasoduto”, disse.

Ele apontou que o leilão emergencial que contratou 1,2 GW (gigawatts) de potência em outubro do ano passado vai custar R$ 39 milhões nos próximos três anos e ainda será preciso construir gasodutos para levar essa energia a outras regiões.

O certame foi o primeiro leilão simplificado de energia de reserva e tem investimento previsto de R$ 5,26 bilhões. Ao todo, 17 usinas foram contratadas para suprimento até dezembro de 2025. 

 

Imagem: Canva

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA e cedido para o portal da Abdib.