Novo ministro da Infraestrutura deve promover mudanças pontuais na pasta

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O secretário-executivo do Ministério da Infraestrutura, Marcelo Sampaio, se prepara para assumir o ministério após o presidente Jair Bolsonaro ter confirmado seu nome com a saída de Tarcísio de Freitas para disputar o governo de São Paulo.

A despedida do ministro atual está prevista para ocorrer na quinta-feira (31), com a passagem do cargo no dia seguinte. Sampaio será o primeiro servidor concursado da pasta a ocupar essa função desde a nova Constituição.

Graduado em engenharia, mestre em Planejamento de Transportes com estudos em Avaliação de Vulnerabilidade de Infraestrutura de Transportes pela UnB (Universidade de Brasília), Sampaio também tem especialização em Economia do Setor Público.

Nos 15 anos como servidor (foi empossado aos 22 anos), ele ocupou praticamente todos os cargos do ministério, de analista a secretário, até chegar à cadeira de ministro. Também trabalhou na Casa Civil da Presidência da República no governo Michel Temer.

Sampaio chegou a ter seu nome ventilado para ser ministro quando Bolsonaro foi eleito e dois generais da reserva que foram convidados não aceitaram o cargo. Ele é próximo à família do presidente por ser genro do general da reserva Luiz Eduardo Ramos, atual ministro da Secretaria de Governo, que é amigo pessoal de Bolsonaro. Na época, Ramos ainda estava no Exército.

Ele acabou sendo um dos que passaram a apoiar o nome de Tarcísio de Freitas para o cargo e se tornou seu braço executivo na pasta. Sempre deu muita ênfase à melhoria da gestão interna e da transparência de dados no ministério, mesmo antes da atual gestão.

É ideia dele um dos primeiros bancos de dados do órgão, o BIT (Banco de Informações em Transportes), feito ainda na década passada. Como secretário, desenvolveu sistemas de controle de gestão avançados e coordenou diretamente alguns dos projetos da pasta, como a implantação do DT-e (Documento Eletrônico de Transporte).

Trocas
As trocas a partir da saída de Sampaio ainda não estão confirmadas. A tendência no momento é que não haja grandes mudanças, de acordo com apuração da Agência iNFRA junto a fontes ligadas ao ministério. O substituto dele na Secretaria Executiva deve ser Felipe Queiroz, que já é o secretário-executivo adjunto. Isso pode mudar se Rodrigo Cruz, que estava nessa função até o ano passado e foi ser secretário-executivo do Ministério da Saúde, retornar para a pasta.

Como o ministro Tarcísio de Freitas pretende levar parte da equipe para a campanha em São Paulo, deverá haver mais mudanças. Uma já encaminhada é a saída do diretor-presidente da EPL (Empresa de Planejamento e Logística), Arthur Luiz Pinho, que deve auxiliar Tarcísio na campanha em São Paulo.

Quem também deve sair é a secretária de Fomento, Planejamento e Parcerias do ministério, Natália Marcassa. Num acordo feito ainda em 2021, ela vai pedir licença capacitação para estudar fora do país, o que deve ocorrer no segundo semestre. Natália é também presidente do conselho da EPL.

Essas mudanças devem fazer com que um projeto iniciado na atual gestão, a fusão da EPL com a Valec, seja acelerado. Programada para 2021, ela foi suspensa porque o ministro Tarcísio de Freitas entendeu que poderia prejudicar o andamento das estruturações de projetos em que as estatais estavam trabalhando.

Negociações políticas
Apesar de ter uma diretriz de manter técnicos ocupando os principais cargos da gestão, há conversas para indicação de partidos políticos para o preenchimento de cargos. O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, que preside o PP, quer indicar a secretaria de Trânsito da pasta, atualmente ocupada por Frederico Carneiro. A tentativa é por um técnico do setor que tenha afinidade com o tema.

Além das vagas que vão se abrir na pasta, há nomes a serem indicados para as agências reguladoras vinculadas. Na ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), o ministério já encaminhou para a Casa Civil o nome de Marcos Kleber Félix, atual assessor especial do ministério e um dos principais articuladores do projeto de lei do novo marco legal das ferrovias.

O outro nome cotado para a agência de transportes seria o de Luciano Lourenço, atual superintendente da área de transporte rodoviário de passageiros da agência. Também servidor do governo federal, o engenheiro foi levado para o órgão na mudança de diretoria que ocorreu no ano passado, com a entrada de Rafael Vitale na diretoria-geral.

Seu nome seria apoiado por senadores ligados ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que também apoiou a ida de Vitale, indicado por Sampaio para ocupar o comando da agência em substituição ao nome de Davi Barreto.

 

Foto: Alan Santos/PR

Acesso a imagem: Flickr

 

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA e cedido para o portal da Abdib.