2023 disruptivo

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Estamos ainda em março e já estamos pensando em 2023. Aliás, já estávamos mirando 2023 desde o ano passado, pois as previsões econômicas já apontavam para um 2022 com baixo crescimento e elevada inflação.

A novidade foi a guerra, que trouxe, além do sofrimento de centenas de milhares de famílias, mais incertezas e inflação e menos crescimento econômico.

Mas, independentemente dos efeitos da guerra, nossa atividade econômica já estava fraca. Dados divulgados pelo IBGE mostram retração da produção industrial e do comercio varejista ampliado, aquele que inclui veículos, motocicleta e material de construção. Os juros já apontam para 12% a.a.

Por outro lado, o desemprego caiu, mas vem acompanhado da redução do rendimento médio real do trabalhador, em função da persistente inflação que teima em não ceder em que pese a elevação das taxas de juros.

O Banco Central acaba de rever suas previsões para 2022, que agora indicam crescimento de apenas 1%, com incremento do agropecuária e serviços, redução da produção industrial, aumento do consumo do governo e das famílias e redução dos investimentos

Ou seja, não sairemos do lugar em 2022. Aliás, estamos no mesmo lugar há décadas. Por isso precisamos de um 2023 disruptivo, que seja capaz de interromper este marasmo de emprego e renda.

Mesmo havendo ainda muito a fazer, tivemos disrupção através das concessões de serviços públicos de infraestrutura em todos os cantos do país. Há vinte anos, elas carregavam ranços ideológicos e hoje são uma realidade, com mais de 400 projetos em execução, num jogo de ganha-ganha.

Precisamos desta mesma disrupção para reindustrializar o Brasil, incentivar investimentos públicos e privados e realizar as reformas administrativa e tributária. Que 2023 seja o início destes processos, que só avançarão com o esforço e vontade política dos poderes executivo e legislativo.

 

Roberto Figueiredo Guimarães

Ex-secretário do Tesouro Nacional e atual diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base – ABDIB