Estudo do BNDES prevê possibilidade de leilões de infraestrutura unidas a ativos ambientais

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De acordo com o diretor de concessões e privatizações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS), Fábio Abrahão, está sendo estruturada novas concessões de infraestrutura que serão leiloadas de forma “casada” com ativos ambientais, isto é, quem arrematar um leilão de uma rodovia ou de um porto, levará junto a exigência de cuidar de um parque nacional ou floresta pública. O novo mecanismo poderá estrear ainda em 2022.

Abrahão afirma que a carteira de concessões ambientais possui um aproximado de 14 milhões de hectares. Na lista estão 54 unidades de conservação em oito Estados, classificador em dois tipos de negócios: parques nacionais (que podem ser explorados para fins turísticos e de visitação) e florestas públicas (com manejo sustentável de madeira e outros produtos).

Entretanto, o diretor diz ainda que há dois desafios: trata-se de um mercado, no Brasil, que ainda não atingiu maturidade e tem uma quantidade relativamente limitada de “players” e, com o avanço das concessões de ativos ambientais mais rentáveis, ativos mais difíceis de viabilizar economicamente sobrarão.

Dessa forma, surgiu a ideia de unir as concessões de infraestrutura e ativos ambientais. Como os grupos que operam rodovias e aeroportos têm escasso conhecimento ou interesse na operação direta de parques ou florestas, o objetivo não é colocá-los para administrar também os projetos na área de meio ambiente. Em teoria – a modelagem ainda está sendo desenhada -, eles poderão contratar terceiros para isso ou depositar os recursos em uma conta vinculada à concessão de infraestrutura. Torna-se uma espécie de contrapartida. O BNDES ou governo ficaria, então, responsável pela contratação de um operador para o parque ou a floresta. (Valor)