Na transição energética, Brasil precisa explorar potencialidades “sem trancar rotas de desenvolvimento”

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O painel “Raio-X da Infraestrutura: Energia” inaugurou o segundo dia de atividades do Abdib Experience 2021, realizado no dia 8 de dezembro. A perspectiva dos empresários e autoridades públicas revela que é inescapável para o setor perseguir um futuro de carbono zero, com menor produção de poluentes e impacto ambiental. Porém, não a qualquer preço ou a qualquer tempo. É necessária uma transição constante, observando tanto as características do Brasil quanto as particularidades do setor instalado, considerando eficiência e competitividade como atributos essenciais na desejada equação verde. Além disso, é vital o equilíbrio entre a segurança energética e a modicidade tarifária. O debate completo do segundo dia está disponível no canal da Abdib no YouTube.

“Uma coisa que precisamos ter em mente é nunca trancar a rota de desenvolvimento”, definiu Marcello Cabral da Costa, secretário-adjunto de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia, ao defender a ideia de que cada país tem uma solução adequada para a sua realidade, embora o objetivo mundial seja o mesmo. “O caminho que o ministério adota é o biocombustível, é a eletricidade? Não. O caminho é chegar em meados de 2050 com 50% de emissões a menos, esse é o compromisso. E como chegar nele? Não é um trilho, é uma trilha. Sabemos o destino, mas precisamos ser capazes de entender como chegar lá sem desligar a chave-geral”, comenta.

José Roberto Paiva, country managing director na Hitachi Energy, compartilha da perspectiva, e acrescenta que esse futuro “está sendo construído hoje”, e que a transição energética terá a eletricidade como “espinha dorsal do sistema de energia”. “A nossa expectativa é de que a energia elétrica responda por 50% do total de energia no mundo”. A eletrificação da mobilidade é outro desafio já projetado pela empresa desde a atualidade. “Estamos focados na eletrificação de ônibus e caminhões”, definiu. “O carro elétrico é inevitável. Isso traz complexidade ao sistema elétrico. Precisaremos de mais digitalização e projetar as novas demandas por consumo de energia elétrica”, complementou.

Sobre o sistema brasileiro de transmissão de energia, Arthur Pereira, head of Industrial Applications Products da Siemens Energy, avaliou o sistema elétrico brasileiro como “bem regulado” e “um dos maiores no mundo”, com leilões de transmissão que são modelo para a América Latina. Mas apontou que é possível simplificar os processos de autorização entre agência reguladora e concessionárias. Ele também observou que um dos maiores desafios do setor é a troca da base de ativos na rede. “Muitos equipamentos estão em fase final de vida útil e hoje estamos substituindo-os de acordo com a necessidade. Mas, se tivermos uma abordagem mais sistêmica, isso vai trazer ganhos. A substituição poderá incrementar o monitoramento, diminuir o uso de cabos e permitir uma digitalização mais acelerada do sistema”, sugeriu.

 

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