Brasil precisa devolver hidrelétricas ao patamar de protagonismo, apontam empresários

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O aproveitamento do potencial hidráulico remanescente em hidrelétricas existentes no Brasil voltou à pauta de discussões na Abdib. Em encontro organizado pelo Comitê Geração de Energia no dia 2 de dezembro, que contou com três apresentações de convidados especiais que abordaram aspectos complementares do assunto, executivos e especialistas da área elétrica apontaram que o país precisa devolver as hidrelétricas à condição de protagonismo para a expansão da capacidade de oferta nacional não apenas de energia, mas também de potência, em virtude das externalidades positivas para o sistema elétrico, para a sociedade e para a economia nacional.

O contexto é favorável para isso, segundo os participantes do encontro, pois há crescimento acelerado dos investimentos em energias renováveis intermitentes como solar e eólica. Para eles, é preciso que haja adequada valoração do aumento da capacidade das UHEs existentes e dos serviços ancilares para que isto faça a diferença dentro de um cenário de aceleração da transição energética. Além disso, a tendência de crescente instabilidade para a operação do sistema ficaria melhor equacionada com a expansão hidrelétrica, reforçando a segurança no suprimento elétrico, principalmente em horários de pico de demanda.

Participaram do encontro do Comitê de Energia Elétrica o superintendente adjunto da Diretoria de Estudos de Energia Elétrica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Renato Haddad, que abordou os estudos realizados pela instituição e as perspectivas para a expansão hidrelétrica no Brasil, o diretor comercial da GE, Eduardo Cardoso, que tratou de requisitos para viabilização de projetos e apresentou a necessidade de uma nova abordagem de comunicação para argumentar com a sociedade, e a advogada Maria João Pereira Rolim, que listou propostas de encaminhamentos para efetividade regulatória para aproveitamento do potencial hidrelétrico nacional.

Remunerar serviços ancilares – As usinas com reservatórios, novos ou otimizados pela lógica da valoração de seus benefícios ao sistema, indicaram os participantes, além de serem também renováveis, contribuem para a estabilidade, mesmo em cenários de crises hídricas, que têm se mostrado como um novo patamar na última década.

Outra observação foi sobre a necessidade de garantir a remuneração correta para os serviços e benefícios entregues à sociedade pela geração hidrelétrica. O caminho para isso é finalizar as reformas regulatórias que garantam o pagamento por serviços ancilares prestados por estas plantas elétricas e a separação entre lastro e energia nos contratos de energia, disseram os debatedores.

Potencial de modernização de usinas – Merece destaque a síntese trazida por Haddad ao final do evento, quando apontou que o planejamento governamental nunca abandonou novas hidrelétricas, mas que é necessário entender os requisitos atuais para esse tipo de fonte.

Diferentemente do passado, quando várias usinas foram viabilizadas com base na garantia de energia por períodos de 30 anos para viabilização do financiamento, hoje tendências tecnológicas para operarão do sistema e novas fontes renováveis já são realidade, o que altera a competitividade e faz com que os horizontes de preço futuro sejam cada vez mais curtos, disse o executivo da EPE.

Haddad lembrou que o Plano Decenal de Expansão de Energia 2030 considera nas premissas as duas alternativas, tanto hidrelétricas novas quanto existentes, com ampliação, modernização e repotenciação. Para novos projetos, a EPE caracteriza aqueles que, dadas as informações de viabilidade técnica, econômica, financeira e ambiental, apresentam condições de entrar em operação no horizonte do estudo.

Ampliação de hidrelétricas fazem parte do cenário de referência da EPE, disse, com potencial elegível de adicionar 49,9 GW em 51 usinas existentes considerando aquelas que tenham mais de 25 anos de operação e potência maior de 100 MW..

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