Projeto aponta potencial energético da vinhaça para gerar receitas e reduzir impactos ambientais

439

Executivos de empresas associadas da Abdib foram apresentados no dia 22 de outubro a um modelo de negócios que envolve geração de energia por biomassa de forma distribuída atrelada ao movimento de transição energética que procura reduzir o uso de fontes fósseis por outras renováveis.

A oportunidade foi detalhada por executivos da 4Bio Energia, liderada por João Carlos Meirelles, ex-secretário do Governo do Estado de São Paulo em áreas relacionadas ao desenvolvimento, à ciência e à infraestrutura, e Eduardo Jardim, executivo especializado em projetos de engenharia e obras nas indústrias de óleo, gás e energias alternativas.

O modelo prevê o aproveitamento da vinhaça, um subproduto da cana-de-açúcar, para a produção de fontes energéticas como gás natural, biomassa e biogas/biometano.

Regiões com potencial – Segundo Meirelles, as usinas de açúcar e álcool podem contribuir para a geração distribuída, principalmente a partir do aproveitamento da vinhaça em estados como São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, bem como na Região Nordeste.

A 4Bio Energia mapeou que, em São Paulo, há 171 usinas que processam 53% da cana-de-açúcar cultivada no Brasil – e 60 destas plantas industriais estão a menos de 20 quilômetros de gasodutos, facilitando o escoamento da produção de gás, caso a opção do investidor seja utilizar a vinhaça para produção de gás.

Meirelles ressaltou que atualmente há tecnologia disponível para o tratamento da vinhaça, permitindo tanto reduzir o impacto ambiental, diretriz atrelada à agenda global de desenvolvimento sustentável, quanto aumentar a geração de receitas por meio da produção de energéticos como biocombustíveis, gás natural ou eletricidade.

Benefícios ambientais – O modelo de negócios apresentado pela 4Bio Energia sugere a formação de ‘clusters’, concentrando empresas definidas tanto por proximidade geográfica entre as usinas quanto por convergência e complementaridade entre os escopos envolvidos no aproveitamento da vinhaça da cana-de-açúcar.

Meirelles apontou que as empresas, em clusters, passam a compartilhar diversos benefícios, a maioria de caráter ambiental, como a substituição parcial do diesel por biometano para a frota de máquinas, estabilização da oferta de energia na entressafra, retorno da vinhaça livre de poluentes para processos de fertilização e irrigação, melhoria do balanço energético de etanol produzido e geração de certificados ambientais.

 

Imagem: Canva.