Bônus para quem economizar energia é última fronteira antes de restrições mais drásticas

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Em entrevista coletiva realizada para jornalistas no dia 25 de agosto, o Ministério de Minas e Energia anunciou que prepara um programa para incentivar consumidores do mercado regulado, a maioria residências e pequenos estabelecimentos de comercio e serviço, a reduzirem voluntariamente o consumo de energia elétrica mediante lançamento de um programa de bônus previsto para começar a funcionar em 1º de setembro. Há ainda definições importantes a serem apresentadas, sobretudo de custeio do bônus, para que o programa seja efetivo, mas a decisão é bem-vinda.

Segundo a Abdib, operacionalmente, essa medida deve ser considerada como uma das mais importantes decisões do governo federal para evitar o desabastecimento de energia elétrica em localidades ou regiões do país – e talvez a última medida com potencial para tal. O programa de bônus deve vir acompanhado de comunicação transparente e de fácil entendimento e transmitida com capilaridade.

Há alguns meses, diversas medidas técnicas foram adotadas para gerenciar a oferta e a demanda de energia elétrica. Entre elas, destacam-se a criação de uma câmara de gestão centralizada, a redução da vazão de alguns reservatórios, o acionamento de térmicas no limite da produção, campanhas de consumo consciente, contratação de montantes adicionais de energia, antecipação de obras, programa para incentivar indústrias com carga acima de 5 MW a mudar o horário do uso da energia e portaria para a economia da administração pública. Todas essas manobras são acertadas e elogiáveis, de acordo com a Abdib.

O programa de redução voluntária para os consumidores residenciais e comerciais ganha ainda mais importância para o caso de os consumidores industriais com demanda acima de 5 MW não conseguirem descolocar ou reduzir o consumo no montante necessário e esperado pelas autoridades do setor elétrico diante de mercados em recuperação.

Para a Abdib, na crise do racionamento de energia elétrica em 2001 e na crise hídrica em 2014, os consumidores residenciais e comerciais foram atores importantes para contribuir para a redução do consumo e para a gestão do suprimento de eletricidade e água. Há histórico e expectativa que este comportamento da população volte a surtir efeitos novamente.

A Abdib considera que as condições de abastecimento de água e energia elétrica têm se deteriorado continuamente, exigindo rapidez e coragem na adoção de medidas para o gerenciamento do sistema elétrico tanto do lado da oferta quando do lado da demanda.