Para cumprir promessa de Bolsonaro a motoqueiros, governo permite liberação de pedágio

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O governo federal publicou nesta quinta-feira uma portaria que permite a isenção de pedágio para motociclistas em rodovias que se encontram em processo de licitação ou relicitação. Essa isenção, no entanto, precisa ser confirmada no edital de concessão de cada rodovia.

As concessionárias de rodovias criticam a isenção de pedágio a motos, dizem que isso vai impactar na tarifa de outros modais nos contratos futuros e prejudicar em especial caminhões e ônibus que usam as rodovias com mais frequência e em percursos longos. Apesar de considerarem que a medida é política e que não tem respaldo técnico, a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) e a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) não pretendem judicializar o tema.

Segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), os motociclistas representam 2% do fluxo nas estradas, mas representam 25% dos acidentes, o que impacta nos gastos da concessionária.

— É uma decisão de governo (isentar motocicletas do pagamento de pedágio) que não é boa para o consumidor e para o setor. Essa portaria deveria ter sido objeto de consulta às partes relacionadas, mas nada foi feito, não fomos ouvidos, não houve amplo estudo. É uma medida absolutamente populista e sem respaldo técnico — afirma Venilton Tadini, presidente da ABDIB.

Segundo ele, a decisão do governo Bolsonaro vai na contramão da prática internacional, que busca incentivar o transporte coletivo e ampliar a base de contribuintes dos pedágios.

— Do ponto de vista de política para a concessão de rodovias, essa decisão de isentar motos não é boa, é tomada em detrimento de ônibus e caminhões. Preocupa o setor de infraestrutura porque encarece a tarifa de transporte de carga e transporte coletivo de maneira geral, prioriza o transporte individual — ressalta Tadini.

Confira a matéria completa: O Globo