Brasil deve investir 4,3% do PIB em infraestrutura para ser competitivo, diz Abdib

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O Brasil precisaria investir 4,3% de seu PIB (Produto Interno Bruto) em infraestrutura ao longo de 10 anos para se tornar competitivo, avalia Venilton Tadini, presidente-executivo da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base).

Em entrevista ao Poder360, Tadini diz que há consenso entre os especialistas de que a recuperação da economia se dará pela infraestrutura. “Se chegarmos a 2,5% do PIB [investidos em infraestrutura] com só 0,5% [de participação] do setor privado, é um sucesso espetacular. É a gente praticamente fazer 1/3 do que estamos fazendo hoje a mais”, disse Tadini.

O presidente da Abdib também avalia que, para o país desenvolver sua infraestrutura, será necessária a atuação do setor privado, mas também do Estado, sobretudo naqueles ativos que não têm retorno financeiro, como rodovias não pavimentadas.

Assista à entrevista abaixo (28min48s):

“Toda malha não pavimentada que não tem retorno e que certamente não estimula o
setor privado a participar, tem que ser tratada pelo ente público. Não adianta ignorar
isso.” Por isso, segundo Tadini, o orçamento do DNIT (Departamento Nacional de
Infraestrutura de Transportes) não pode ser reduzido, como vem ocorrendo todos os
anos.

Ainda sobre o orçamento, o presidente da Abdib disse não acreditar que falte dinheiro
para a infraestrutura. Segundo ele, o aumento do Fundo Eleitoral deixou claro que há
dinheiro no Estado para ser gasto, mas está sendo aplicado em outras áreas.

“Se nós não podemos aumentar o recurso para infraestrutura, como é que eu posso
aumentar para o Fundo Eleitoral, numa penada, alguns bilhões na calada da noite?
Então, é por isso que eu não aceito dizer que não há recursos”, disse.

Sobre a reforma tributária, Tadini afirma que 1º é preciso pensar qual tamanho do
Estado o país deseja ter para depois pensar em uma reforma tributária. Sem isso, criase uma estrutura de gastos inadequada.

Em relação à MP da Eletrobras aprovada em junho no Congresso Nacional, Tadini
avalia que muitos assuntos tratados dentro do texto da medida provisória, são alheios
ao ponto central da proposta, e que podem beneficiar grupos de interesse.