Com estiagem, geração de energia de Itaipu é a menor em 27 anos

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Com a seca no Rio Paraná, que abastece o reservatório da hidrelétrica de Itaipu, a geração acumulada de energia da usina em 2021 é a menor em 27 anos, segundo informações da empresa em resposta a questionamento feito pela Agência iNFRA.

Em comparação ao ano passado, a produção até o momento está 12% menor. Em relação a 2016 – ano em que a usina atingiu o seu recorde de geração de eletricidade – a queda é de 35%, segundo Itaipu Binacional.

A empresa ressalta, porém, que mesmo com a diminuição, “os montantes de energia que estão sendo requisitados pelos sistemas elétricos brasileiro e paraguaio estão sendo plenamente atendidos”.

Mais kWh por metro cúbico
Itaipu é a última usina da Bacia do Paraná, após a confluência do Rio Paraná com o Iguaçu, que está com uma das menores vazões históricas. Para produzir a energia contratual, a hidrelétrica precisa gerar mais eletricidade com a mesma quantidade de água: mais kWh (kilowatts-hora) por metro cúbico de água que passa pelas turbinas, fazendo com que as unidades geradoras fiquem disponíveis o maior tempo possível.

Essa estratégia já começou em 2020, quando o índice de disponibilidade das turbinas ficou em 97,04%, superior à meta da área técnica da usina, que é 94%.

“Face a esta crise hídrica histórica, reitera-se que a Itaipu tem adotado estratégias para operar a usina com máxima eficiência, de forma a continuar contribuindo com a manutenção da segurança do suprimento de energia elétrica ao Brasil e Paraguai”, disse a empresa.

Turbinas desligadas
Com o baixo volume do Rio Iguaçu, Itaipu já precisou desligar algumas de suas 20 turbinas neste ano, por falta de água. Segundo uma fonte, oito unidades geradoras já chegaram a ficar paralisadas ao mesmo tempo.

De acordo com a empresa, “o desligamento de algumas turbinas faz parte da estratégia da Itaipu em produzir energia com a máxima eficiência, dependendo do montante de energia que está sendo demandado, e do cenário hidrológico do momento, o que permite que as turbinas que estão em funcionamento permaneçam operando na maior parte do tempo na região de maior rendimento, onde o consumo de água é menor”.

A companhia binacional não informou o número de unidades que ficaram indisponíveis.

Geração em queda desde 2016
O recorde de produção acumulada de eletricidade da usina foi em 2016, quando atingiu 103.098 GWh. Nos quatro anos seguintes – 2017, 2018, 2019 e 2020 – a geração da hidrelétrica caiu seguidamente, mostrando que houve um cenário de deteriorização das vazões da Bacia do Paraná

Em 2017, caiu 6,5% em comparação com 2016, atingindo o patamar de 96.387 GWh. Dois anos depois, em 2019, o patamar já estava em 79.445 GWh, e desceu ainda mais, para 76.382 GWh em 2020. Neste ano, o volume de geração é o mesmo que a usina produzia em 1994, quando possuía menos turbinas e menor nível tecnológico.

 

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA e cedido para o portal da Abdib.