Nova onda da pandemia causa danos na percepção sobre crescimento e investimentos

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O recrudescimento da pandemia do coronavírus ao pior patamar no Brasil gerou reflexos na percepção dos empresários e executivos do setor de infraestrutura sobre perspectivas para a retomada do crescimento econômico e cenário para promoção de investimentos. A visão mais pessimista detectada agora, no entanto, não se equipara à deterioração capturada no mesmo período de 2020, quando a sociedade brasileira começou a sofrer os primeiros efeitos da Covid-19.

Essa é o retrato que emerge da 5ª edição do Barômetro da Infraestrutura Brasileira, sondagem semestral realizada em parceria pela Abdib e pela EY entre executivos e especialistas que lideram projetos de investimentos e gerenciam contratos nos setores de infraestrutura.

Fonte: Barômetro da Infraestrutura – maio de 2021.

 

Nesta 5ª edição, o Barômetro da Infraestrutura Brasileira coletou a opinião de 175 líderes de negócios entre 15 e 29 de março sobre temas como crescimento econômico e cenário para investimentos, esforço do Estado em prol da infraestrutura, apoio aos entes subnacionais, governança pública para processos relacionados à infraestrutura e segurança jurídica, entre outros. O objetivo é monitorar o ânimo e as expectativas dos profissionais do setor em assuntos essenciais aos investimentos e ao desenvolvimento de projetos.

Quando convidados a opinar sobre expectativa com relação ao crescimento econômico do país para os próximos seis meses e para 2022, no fim do atual mandato presidencial, os empresários demonstraram visão mais negativa.

Para o curto prazo, em um horizonte de seis meses, predomina percepção entre pessimismo (aumento de 26,1% em setembro de 2020 para 43,4% em março de 2021) e estabilidade. O otimismo voltou a cair (de 30,3% em setembro de 2020 para 17,7% em março de 2021). Tanto o pessimismo quanto o otimismo voltaram a oscilar bastante, mas não com tanta virulência quanto em março de 2020, quando surgiram os primeiros sinais da Covid-19 no Brasil, que vive agora o pior momento da pandemia e um processo lento de vacinação.

Em um horizonte mais distante, no fim de 2022, predomina percepção entre estabilidade (aumento de 31,7% em setembro de 2020 para 41,7% em março de 2021) e otimismo (queda de 55,6% em setembro de 2020 para 34,9% em março de 2021). O pessimismo cresceu cerca de 12 pontos percentuais – estão pessimistas agora 22,3% dos respondentes. Otimismo e pessimismo oscilaram bastante também, com mais intensidade.

Sobre cenário para promoção de investimentos em infraestrutura no país nos próximos seis meses, diminuiu a fatia de respondentes que classificam o cenário para promoção de investimentos nos próximos seis meses como favorável (de 52,1% para 36,6%), uma queda superior a 15 pontos percentuais desde a última pesquisa. A fatia dos que classificaram o cenário como desfavorável subiu de 21,8% para 32,6%. Novamente, os indicadores positivos e negativos oscilaram, mas sem a virulência que marcou a pesquisa feita no mesmo período de 2020, quando a Covid-19 surgiu no Brasil.

Fonte: Barômetro da Infraestrutura – maio de 2021.

 

Os participantes da pesquisa também foram convidados para apontar três setores nos quais acreditam que haverá aumento de intenções de investimento nos próximos três anos. Saneamento básico novamente lidera a lista. Vale destacar que os setores de rodovias e ferrovias aparecem logo em seguida.

O recrudescimento da pandemia para o pior momento no Brasil não alterou significativamente a percepção dos respondentes com relação à contratação de novos profissionais tanto no mercado quanto nas empresas onde eles atuam. No mesmo período de 2020, quando os efeitos da Covid-19 começam a surgir, houve reversão da percepção acentuada. No geral, houve migração, entre pequena e média intensidade, daqueles que tinham posição neutra para posição desfavorável quanto a contratações. Predomina ainda uma visão favorável para contratações.

 

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