Abdib e Vallya lançam índices para mensurar a evolução da demanda em setores de infraestrutura

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O início da pandemia impactou com intensidade a demanda por serviços de infraestrutura. Quando comparado ao mesmo período de 2019, o consumo integrado de energia elétrica, telecomunicações e de transportes ferroviário, portuário, rodoviário e aeroportuário no mês de abril de 2020 apresentou redução de 22,42%. Tal queda foi minimizada ao longo dos meses e, em dezembro de 2020, a demanda pelos serviços do setor era 3,03% inferior a dezembro de 2019. Todavia, a segunda onda da pandemia no início de 2021 retardou o nível de recuperação e, em março deste ano, a demanda geral por estes serviços atingiu um nível 6,61% inferior a março de 2019.

Esse cenário aparece em dois índices que foram criados em parceria pela Abdib e pela Vallya – o Índice Abdib-Vallya de Infraestrutura e o Índice Abdib-Vallya de Transportes e Logística. Ambos serão divulgados mensalmente.

O objetivo é fomentar a análise de indicadores representativos da demanda por serviços de infraestrutura, contribuindo para o entendimento da atividade econômica setorial e agregada da infraestrutura e abrindo possibilidades para avaliar potenciais gargalos de oferta no setor e para o planejamento de gestores públicos e investidores.

O Índice Abdib-Vallya de Infraestrutura, composto pelas variáveis para os setores de rodovias, ferrovias, aeroportos, portos, energia elétrica e telecomunicações, mostra que a recuperação ao longo de 2020 teve um formato de V alongado (nike), todavia ainda sem perspectivas de quando a demanda retornará ao patamar pré-pandemia.

O resultado auferido pelo Índice Abdib-Vallya de Infraestrutura mostra que os setores de energia elétrica, transporte de carga e telefonia móvel são os segmentos que mais contribuíram para a recuperação, demonstrando bons sinais de resposta da economia. Por outro lado, o segmento de transporte de passageiros, rodoviário e aeroportuário ainda enfrenta dificuldades, com patamar de demanda muito inferior ao momento pré-crise.

O Índice Abdib-Vallya de Transportes e Logística mostra que desde setembro de 2020 a demanda agregada nas áreas de rodovias, ferrovias, aeroportos e portos se estabilizou em patamar 10% inferior ao nível pré pandemia. A segunda onda de contaminação sentida no início de 2021 atenuou ainda mais a situação apontando para o início de uma nova tendência de queda em março de 2021. Neste mesmo mês, o índice dessazonalizado apresenta uma queda de 11,61% comparado a fevereiro de 2020.

Segundo Igor Rocha, diretor de Economia e Planejamento da Abdib, foi possível verificar grande heterogeneidade entre os setores de infraestrutura. Aqueles mais associados e dependentes do escoamento da produção do agronegócio acabaram por se beneficiar em termos relativos. O setor de energia e de telefonia móvel também tiveram um comportamento distinto devido ao primeiro ser um serviço essencial e o segundo pelas atividades de homeoffice contemplando sobretudo a internet de banda larga.

Segundo João Pedro Boskovic Cortez, sócio da Vallya, o crescimento simultâneo dos Estados Unidos e China foi determinante para a recuperação do setor de carga. A alta demanda por commodities e alimentos gerou uma perspectiva de superávit recorde da balança comercial brasileira e impulsionou a demanda pelo uso de infraestrutura. Outro fator foi a migração acelerada para o e-commerce, setor que depende das cadeias logísticas. A preocupação fica pelo lado da movimentação de passageiros, cuja retomada dependerá diretamente do ritmo da vacinação, a geração de empregos e os novos costumes pós-pandemia.

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