Tarcísio praticamente descarta mudar traçado da Fiol 3 para ligação direta com a Fico

102

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, praticamente descartou uma mudança de traçado no trecho 3 da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) que possa criar uma ligação direta dessa ferrovia com a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste).

Durante entrevista após a concretização da concessão do trecho 1 da Fiol, que foi arrematada pela BAMIN (Bahia Mineração S/A) sem disputa, na última quinta-feira (8), Tarcísio afirmou que dificuldades topográficas e geotécnicas deverão impedir que a conexão da Fiol com a FNS (Ferrovia Norte-Sul) seja retirada de Figueirópolis (TO).

Associações ligadas ao agronegócio pediam para que o traçado da Fiol 3 fosse alterado para chegar a Mara Rosa (GO) e assim evitar que uma futura conexão entre a Fico e a Fiol tenha que passar pela FNS, num trajeto de cerca de 100 quilômetros, evitando com isso custos e negociações por direito de passagem.

Segundo o ministro, a topografia da região poderia criar custos operacionais que seriam superiores à operação pela FNS e, além disso, há regiões de cavernas que dificultariam o licenciamento ambiental em um novo traçado.

De acordo com Tarcísio, os estudos iniciais para fazer a concessão dos dois trechos remanescentes da Fiol e da Fico juntos são animadores, com indicação de valores positivos, e, por isso, vão continuar a ser tocados. Ele estimou o leilão para o início de 2023.

Política
Mas, para se chegar a um número positivo numa futura concessão conjunta, o ministro afirmou que é preciso usar o valor livre de outorga da renovação da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica) para investir na Fiol 3, estimado por ele em cerca de R$ 4,5 bilhões.

Ele reconheceu, no entanto, que terá que travar uma batalha política para usar esses recursos para essa finalidade. Seis estados por onde passa a FCA querem fazer seus investimentos em ferrovias com a outorga livre da FCA, mas Tarcísio indicou que vai continuar defendendo que, tecnicamente, o melhor investimento com esse recurso é a aplicação na Fiol 3.

“Vamos ter uma discussão técnica e política para fazer isso. Mas vamos buscar a solução ótima. E qualquer outra é subótima. Essa é a ciência e a complexidade de um processo de renovação. Envolve muita habilidade e negociação”, disse Freitas.

Os dados do ministério, segundo ele, são baseados no PNL (Plano Nacional de Logística), capaz de fazer o cálculo de investimento que traria mais benefícios para a sociedade. Freitas lembrou ainda que a outorga é paga com o que sobra após investimentos obrigatórios, que são aplicados em melhorias da ferrovia em todos os estados.

Comemoração
Após a confirmação da participação da BAMIN no leilão, o ministro reforçou o discurso de confiança de investidores no país e citou o presidente Jair Bolsonaro muito mais vezes em suas falas na quinta-feira (8) do que no dia anterior, quando tratou do leilão de aeroportos.

Sozinha na disputa, a empresa fez uma oferta de R$ 32,7 milhões pela administração da ferrovia por 35 anos, praticamente o valor mínimo exigido. Terá que fazer investimentos de R$ 3,3 bilhões para terminar a ferrovia, além de outros R$ 6 bilhões para implantar um TUP (terminal de uso privado) em Ilhéus para operar as cargas.

O CEO da companhia, Eduardo Ledsham, afirmou que a expectativa é iniciar as operações em 2025. Segundo ele, a controladora da BAMIN, a ERG (Eurasian Resources Group), com sede no Cazaquistão, tem expertise em operação ferroviária por ser a maior operadora de trens da Ásia Central e recursos próprios para fazer os investimentos.

Ledsham afirmou ainda que a mina Pedra de Ferro, que pertence à empresa, tem capacidade para produzir 8 milhões de toneladas ano. Como a capacidade da Fiol foi projetada para 60 milhões de toneladas, a empresa pretende buscar cargas de outros ativos minerais da região e também do agronegócio. A mina produz atualmente 1 milhão de toneladas ano, parte disso transportada pela FCA. A produção em 2022 deve dobrar, segundo ele.

O ministro Tarcísio de Freitas anunciou que o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) vai asfaltar um trecho da BR-030/BA, entre Cocos e Cariranha, como forma de facilitar o acesso a Caetité, onde a ferrovia termina atualmente, de cargas agrícolas do oeste da Bahia.

 

 

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA e cedido para o portal da Abdib.