Debêntures incentivadas para o setor elétrico caem mais da metade em 2020

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As debêntures incentivadas emitidas pelo setor elétrico caíram para mais da metade no ano passado em comparação com o ano anterior, na primeira queda para esse modelo de investimento desde quando ele foi instituído, em 2012. Os dados são de levantamento divulgado na última quarta-feira (27) pelo Ministério da Economia.

Em meio ao cenário de pandemia, o volume das debêntures emitidas pelas empresas do setor atingiu R$ 12,287 bilhões em 2020, uma queda de 55% em relação ao volume registrado no ano de 2019, que foi de R$ 27,265 bilhões. A quantidade de debêntures emitidas no período também caiu em proporção similar. Em 2020, houve 40 emissões de debêntures, contra 79 no ano anterior, uma queda de 49,3%.

Considerando as emissões de todos os setores beneficiados por esse tipo de captação de recursos para investimentos, o volume de debêntures incentivadas também apresentou queda. Em 2020, atingiram R$ 28 bilhões, contra R$ 33,8 bilhões no ano anterior, uma redução de 17,1%.

Mesmo com a queda, o volume de debêntures incentivadas em projetos do setor elétrico representa a maior parte dos investimentos em infraestrutura financiados por esse modelo, concentrando 66% das emissões, contra 18% daquelas emitidas para transporte e logística, e 16% para saneamento, setor que teve crescimento no ano passado.

Despesas de capital
Os projetos no setor elétrico com permissão para captar debêntures apresentaram uma queda generalizada em termos de valores de Capex (despesas de capital) ao longo do ano passado, com exceção do segmento de biocombustíveis – com uma alta de 67,7%.

Entre os segmentos que registraram as principais quedas estão os de transmissão (-74,5%), distribuição (-70,36%), termelétricas (-64,9%), geradora fotovoltaica (-35,9%) e eólicas, com redução de 7,76%. Já os segmentos de hidrelétricas, PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) e de gás natural zeraram o Capex na comparação com o ano anterior.

Considerando os projetos de infraestrutura de maneira geral, houve uma redução de 46,8% de um ano para o outro em termos de Capex associado aos projetos que tiveram emissão permitida. Em 2019, o valor de capital previsto a ser despendido nos projetos foi de R$ 95,6 bilhões. No ano passado, de R$ 50,9 bilhões. Em energia, a queda foi mais acentuada, de R$ 69,5 bilhões para R$ 30,1 bilhões.

Desembolsos
As debêntures incentivadas são um modelo de investimento instituído em 2012, com o objetivo de financiar projetos em infraestrutura, dando incentivos fiscais a pessoas físicas que adquirem esses papéis. Nos últimos anos, passou a ser uma alternativa importante diante de menos recursos liberados por parte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para essa finalidade.

Em 2019, as emissões de debêntures incentivadas tinham atingido R$ 33,8 bilhões, contra R$ 24,4 bilhões de recursos desembolsados pelo banco de fomento. Foi a primeira vez em que esse investimento superou os montantes liberados pelo BNDES.

Entretanto, de janeiro a setembro, esse cenário foi revertido. Enquanto o BNDES desembolsou R$ 19,4 bilhões, as emissões para projetos em infraestrutura foram de R$ 13,6 bilhões no mesmo período. O Boletim de Debêntures Incentivadas está disponível neste link.

 

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA e cedido para o portal da Abdib.