Investimento público pode aumentar confiança do setor privado, diz diretor do FMI

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Com investimento privado deprimido devido à grande incerteza causada pela pandemia, o momento é de fazer investimento público de alta qualidade. Este foi o diagnóstico apresentado pelo diretor-adjunto da Divisão de Política Fiscal do FMI (Fundo Monetário Internacional), Paulo Medas, nesta terça-feira (1º), durante o painel “Investimento público para recuperação”, do Abdib Fórum 2020 – Experience.

Segundo Medas, governos precisam encontrar um equilíbrio entre priorizar o gasto e aumentar a sua qualidade. Ao fazer isso, já se vai abrir algum espaço fiscal para que se possa aumentar o investimento público.

O diretor ressaltou a importância do investimento público para acelerar a retomada econômica, além de aumentar a confiança dos investidores privados na cooperação e levá-los a investir. Segundo Medas, essa é uma boa oportunidade para investir em muitos países, uma vez que os juros estão baixos em todo o mundo.

“Estimamos que investimentos em infraestrutura tradicional podem criar diretamente entre dois e três empregos para cada US$ 1 milhão gasto em economias avançadas e entre cinco e seis empregos em economias emergentes – como é o caso do Brasil”, afirmou.

O diretor do FMI destacou os investimentos em cuidados com saúde, transporte seguro e habitação social, infraestrutura digital e preparo para pandemias e mudanças climáticas.

Regras fiscais – De acordo com Medas existe em todo o mundo uma grande tensão nas regras fiscais em relação à flexibilidade e à instabilidade. “O arcabouço das regras fiscais precisa ter um momento de flexibilidade, principalmente quando existem grandes choques econômicos e crises como estamos enfrentando agora”, disse.

Medas disse também que ainda é muito cedo para que os governos retirem apoios que têm sido concedidos durante a crise.

A dívida pública mundial atingiu níveis recordes nos países do G-20. Até o momento foram gastos cerca de 12 trilhões de dólares em todo o mundo para responder à pandemia do novo coronavírus e suas consequências econômicas. No entanto, apesar dos esforços, o efeito da crise é muito superior às medidas que os países tomaram.

Segundo estimativas do FMI, a pobreza mundial aumentará significativamente: cerca de 80 a 90 milhões de pessoas correm o risco de cair na pobreza extrema.