Demanda por energia, portos e rodovias mantêm trajetória de retomada

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Estatísticas divulgadas na semana sobre movimentação de cargas nos portos brasileiros e sobre o consumo de energia elétrica pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que a recuperação da demanda segue firme nestes setores de infraestrutura.

Esse cenário está em nova apuração na seção Indicadores de Infraestrutura, que se propõe a demonstrar a evolução da demanda em áreas estratégicas da infraestrutura, servindo como importante termômetro para atividade econômica como um todo. A avaliação semanal é realizada pela Vallya e disponibilizada para a Abdib em parceria exclusiva.

Os dados de movimentação portuária no mês de outubro confirmam o bom momento do setor, que tem alta acumulada (carga geral) na maioria dos portos organizados do país listados no Painel Mensal.

Os dados de outubro, comparados com o mesmo período do ano passado, demonstram crescimento vigoroso na movimentação da Cia Docas do RJ (+ 24,43%) e no Porto de Itajaí (+ 14,94%) levando o acumulado do ano para expansão de 0,22% e de 14,94% respectivamente. Na mesma base de comparação, o Porto de Suape e a Portos do Paraná também apresentaram crescimento em outubro, de 1,66% e de 2,15%, respectivamente. No acumulado do ano, o Porto do Suape apresenta crescimento da movimentação de carga geral de 6,22% enquanto a Portos do Paraná registra expansão de 9,66%.

Já o Porto de Santos, mesmo apresentando em outubro movimentação abaixo da observada no mesmo mês do ano passado (- 3,05%), continua acumulando ganhos em 2020, de 8,27% em termos de comparação ano a ano.

O destaque negativo ficou por conta do Porto do Rio Grande, que acumula sucessivas quedas ao longo dos meses. Em outubro, quando comparado ao mesmo período do ano passado, o Porto do Rio Grande teve baixa de 44,19% na movimentação de carga geral. É o único porto organizado da lista que se encontra abaixo do nível de atividade do ano passado em termos ‘year on year’, registrando queda de 4,82%.

Setor elétrico – Os dados divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em relação ao mês de outubro confirmam a tendência de crescimento observada ao longo dos últimos dois meses, registrando aumento do consumo de energia elétrica na rede de 3,39% em comparação com o mesmo período do ano passado. O desempenho, agora, está 2,13% menor no acumulado do ano em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O segmento residencial continua com demanda em expansão, apresentando crescimento de 9,73% em outubro nesta base de comparação. Já o segmento industrial manteve o patamar observado no mês de setembro, registrando crescimento de 5,03% no consumo no mês de outubro em comparação com o mesmo período do ano passado.

Todos os eixos que compõem o segmento industrial registraram expansão no nível de atividade econômica, à exceção da fabricação de veículos (- 5,07%) e extração de materiais metálicos (- 2,27%). o destaque positivo ficou novamente por conta dos eixos de fabricação de minerais não metálicos (10,98%) e metalurgia (8,97%). Os bons resultados observados ao longo dos últimos meses no segmento industrial estão reduzindo o déficit no acumulado do ano.

O setor de metalurgia (1,62%) e fabricação de alimentos (1,81%) já estão acima do nível observado no ano passado em termos ‘year on year’. Boa parte dos setores ainda estão próximos, embora ainda abaixo, do nível observado no ano passado – caso a expansão continue nos meses de novembro e dezembro estes poderão fechar o ano em terreno positivo.

Isto posto, setores como a fabricação de veículos (- 20,94%), a fabricação de têxteis (- 13,22%) e a fabricação de produtos de metal (- 13,07%) ainda se encontram bem abaixo do nível de atividade econômica do ano passado em termos ‘year on year’, demonstrando que o ritmo de recuperação da atividade econômica não será de forma homogênea.

Os dados divulgados pela ONS em relação a quarta semana de novembro também apontam para tendência de crescimento da atividade econômica como um todo. Segundo o Painel Semanal, é a terceira semana de crescimento generalizado nos principais indicadores em comparação com o mesmo período do ano passado: de 4,1% para carga de energia, 2,2% para geração de energia e 6,6% na demanda máxima horária.

Rodovias – Nas estadas concessionadas, há também indicadores positivos. Houve alta de 3,7% na movimentação de veículos nas rodovias da CCR durante a 4ª semana de novembro em comparação com o mesmo período do ano passado. Nesta base de comparação, os veículos comerciais mantiveram o patamar observado ao longo das últimas semanas, apresentando alta de 8,5%, enquanto os veículos de passeio apresentaram alta expressiva, embora ainda abaixo do patamar observado no ano passado (- 2,1%). Todos os trechos registraram movimentação acima do ano passado nesta base de comparação, com a exceção do trecho ViaOeste, que registrou queda de 0,7%.

Já bons resultados também na movimentação da Ecorodovias. Houve crescimento de 3,3% na movimentação de veículos nos trechos de rodovias sob gestão da concessionária na 4ª semana de outubro em comparação com o mesmo período do ano passado. Nesta base de comparação, o destaque positivo ficou por conta dos trechos Eco101 (15,4%) e Ecovias dos Imigrantes (11,6%). Já o destaque negativo foi o trecho Ecosul, que registrou queda na movimentação de veículos de 10,7% quando comparado ao mesmo período do ano passado.

 

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