Portfolios que incorporam ESG têm sido mais resilientes, diz CEO da Black Rock

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Há um debate crescente sobre a pertinência de incorporar fatores que contribuam para reforçar a boas práticas ambientais, sociais e de governança nos projetos. Para discutir esse tema, a Abdib convidou Carlos Takahashi, CEO da Black Rock Brasil, que participou de reunião do Comitê de Desestatização da associação no dia 6 de outubro.

Os coordenadores do Comitê de Desestatização da Abdib – Rosane Menezes, sócia do escritório Madrona Advogados, e Luiz Cláudio Campos, sócio-líder de Governo e Infraestrutura da consultoria EY no Brasil e Cone Sul – ressaltaram que os especialistas que atuam nas etapas de modelagem dos projetos discutem cada vez mais sobre a necessidade ou a importância de incorporar os critérios ESG na elaboração dos projetos.

Há discussões sobre os custos e as oportunidades que esse movimento pode trazer diante da mudança de comportamento dos financiadores e investidores, que passaram a exigir transparência com relação a esses fatores. E o tema também vem ganhando importância nos programas de desestatizações do governo federal e dos estados.

O CEO da Black Rock Brasil explicou que há bastante pragmatismo entre gestores de investimentos na incorporação crescente de critérios de ESG nas avaliações de risco e retorno. Em análises feitas para comparar a resiliência dos investimentos que incorporam critérios de ESG frente às carteiras tradicionais durante a pandemia, em 90% das vezes os portfolios atrelados aos critérios ESG apresentaram retornos melhores.

Em um exercício ampliado, avaliando o desempenho das mesmas carteiras de investimento retroativamente, inclusive em crises que impactaram os mercados em 2015 e 2018, a resiliência novamente ficou evidente. Em média, em 82% das vezes os portfolios ESG apresentaram desempenho melhor. Em 2015, esse indicador atingiu 78%. Para Takahashi, o processo de precificação vai crescer.

Desafios – Se é crescente a discussão para incorporar e dar transparência aos critérios ESG de empresas e projetos, o caminho não é trivial. Um dos desafios é a organização de dados e informações que ajudem a analisar de forma mais precisa a incorporação dos critérios de ESG nos projetos e nas empresas. Há alguns modelos de relatórios padronizados, outros de caráter regulatório, bem como formulários de referência das próprias gestoras de recursos. Mas nem sempre os dados são suficientes.

Outro desafio enorme é como classificar riscos não gerenciáveis envolvidos em investimentos, sobretudo os de grande porte e de infraestrutura. Isso inclui a dificuldade de precificar os efeitos econômicos e financeiros da materialização destes riscos, costumeiramente divididos em quatro classes.

Um deles é o risco político, muito comum no Brasil. A encampação da Linha Amarela pela prefeitura do Rio de Janeiro é um dos exemplos mais recentes. Há também riscos de variação cambial (quando o financiamento é em moeda estrangeira e a receita do projeto está em moeda local), risco de crédito de forma geral (na maioria das vezes, inadimplemento do poder público) e o risco de demanda (no longo prazo, e difícil prever o comportamento das receitas diante de mudanças tecnológicas ou crises, por exemplo).

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