Para IATA, Brasil pode ser um dos cinco maiores mercados aéreos se remover amarras

345

Dany de Oliveira, principal executivo da IATA para o Brasil, ressaltou que o custo de operar no Brasil ainda é muito elevado em comparação a outros países – e isso prejudica o desenvolvimento do mercado de aviação nacional. Uma das causas é o excesso de processos judiciais. Mas há outras, como facilitação de passageiros e cargas e o custo do combustível para as aeronaves.

Apesar dos avanços recentes na legislação e na regulação setorial, ainda há muitas amarras e este momento de discussão de entraves e meios para reduzir custos pode ser importante para dialogar com autoridades e parlamentares sobre as mudanças necessárias.

Melhores práticas – Em estimativa da IATA, se o Brasil adotasse as melhores práticas internacionais relacionadas a custos, regulamentação, segurança jurídica, transporte de cargas e facilitação para passageiros, em 20 anos o país aumentaria o número de passageiros transportados em cinco vezes, alcançando 476 milhões de passageiros – contra pouco mais de 100 milhões atualmente.

Assim, o Brasil estaria entre os cinco maiores mercados de transporte de passageiros, somando voos domésticos e internacionais. O país já está entre os cinco maiores quando são avaliados somente dados do mercado doméstico, mas em 15º quando considerado o mercado total (doméstico e internacional). Para Oliveira, o Brasil tem potencial de ser o grande hub da América do Sul.

Nesse contexto, Marcelo Allain, coordenador do comitê de Aeroportos da Abdib, reforça que a ampliação do número de operadores aéreos no país, em especial as empresas “low cost”, será necessária para ampliar a fatia da população que utiliza o modal aéreo.

A IATA analisou as regras entre 62 países e o Brasil foi listado na última colocação quando o assunto é facilitação de transporte de cargas. O custo do combustível no Brasil é o mais caro do mundo, segundo a associação – cada centavo de real no preço de querosene de aviação aumenta em R$ 75 milhões por ano o custo das empresas aéreas.

Viagens per capita – O principal executivo da IATA no país disse que o Brasil tem 0,5 viagem per capita, mas Chile, Colômbia e Argentina apresentam quase uma viagem per capita. Pelo nível de renda, explicou, o brasileiro deveria voar mais.

Como resultado, a aviação no Brasil contribui apenas 1,1% para o PIB, contra 3,3% no Chile. Para ele, quanto mais conectividade aérea, mais riqueza e empregos são criados. Segundo contas da IATA, 10% a mais na conectividade aérea gera 4,7% a mais de investimento estrangeiro direto, 0,5% a mais de PIB e 0,9% a mais de empregos.

Analisando três pilares importantes para o desenvolvimento do setor aéreo em um país – população acima de 150 milhões de habitantes, PIB acima de US$ 1,5 trilhão e área territorial superior a 5 milhões de km² – somente três países em todo mundo possuem essas características: Estados Unidos, China e Brasil. “Os EUA são o maior mercado de aviação mundial, seguido pela China. Infelizmente, o Brasil não se encontra entre os cinco maiores mercados mundiais de aviação, mas tem as condições para estar desde que consigamos remover os entraves referentes a custos e regulação, entre outros, aproximando nosso país das melhores práticas mundiais e assim contribuir com 3,5% do PIB brasileiro” disse Dany de Oliveira.

 

Leia também:

Evidências mostram que aviação não é vetor de transmissão da Covid-19, diz Iata

Com recuo menor, transporte de carga global se recupera lentamente

Mercado doméstico brasileiro pode retomar ao patamar pré-crise já em 2021, segundo IATA