Mercado doméstico brasileiro de aviação pode retomar ao patamar pré-crise já em 2021, segundo IATA

634

O mercado doméstico brasileiro de aviação, apesar de apresentar indicadores negativos em relação ao desempenho de 2019, tem se destacado positivamente na retomada da atividade em comparação com outros países. A demanda global – considerando voos domésticos e internacionais de todos os continentes – deve voltar ao patamar de 2019 somente ao longo de 2024, segundo avaliações com informações disponíveis no momento. No entanto, no Brasil, a demanda doméstica tem crescido com mais força e, por isso, tal feito pode ser alcançado ainda em algum momento de 2021, segundo Dany de Oliveira, diretor geral da International Air Transport Association (IATA) para o Brasil. Os voos internacionais devem demorar muito mais tempo para recuperar o patamar pré-crise.

A avaliação do principal executivo da associação internacional do setor de transportes aéreos, que congrega aproximadamente 300 membros, entre eles companhias aéreas responsáveis por 82% do tráfego aéreo mundial, foi apresentada em reunião do Comitê de Aeroportos da Abdib no dia 17 de setembro ao explicar os impactos da pandemia no setor aéreo local e internacional e as perspectivas de retomada. “Claro, algo pode acontecer de negativo e obrigar a refazer as análises, mas neste momento essa é a perspectiva, recuperar o patamar de 2019 em algum momento de 2021 (para o mercado doméstico brasileiro)”, disse.

 

Leia também:

Evidências mostram que aviação não é vetor de transmissão da Covid-19, diz Iata

Para IATA, Brasil pode ser um dos cinco maiores mercados aéreos se remover amarras

Com recuo menor, transporte de carga global se recupera lentamente

 

Pronta resposta – O coordenador do Comitê de Aeroportos da Abdib, Marcelo Allain, adiciona que houve uma pronta ação coordenada logo no início da pandemia, entre Secretaria de Aviação Civil (SAC), Agência Nacional de Aviação (ANAC) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que permitiu ao país manter o funcionamento reduzido do setor aéreo no Brasil. “Essa boa gestão das autoridades e operadores aéreos e aeroportuários é que permitirá ao país retomar mais rapidamente o fluxo aéreo à medida que a pandemia arrefeça”, disse.

Nas estimativas da IATA, no mercado doméstico brasileiro, as empresas aéreas esperam operar, em média, até o fim deste ano, em nível de demanda superior a 50% do patamar obtido em 2019, podendo chegar a algo entre 60% e 80% a depender da companhia. Oliveira disse que o mercado chinês também apresenta recuperação forte do mercado interno, mas o Brasil está entre os melhores.

Analisando os dados do mercado doméstico brasileiro, ele percebeu que o RPK, indicador mensurado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que mede a quantidade de passageiros transportados por quilômetro, cresceu cinco vezes desde abril até agosto deste ano.

A IATA monitora o pulso do mercado aéreo globalmente por meio de avaliações quantitativas e qualitativas a partir de uma rede de 490 parcerias estratégicas que envolvem agentes diversos, como escritórios regionais, companhias aéreas, operadores aeroportuários e empresas de turismo, entre outros.

Mercado internacional – Já o mercado de voos internacionais será o último a se recuperar em todos os países, segundo o executivo da IATA. Esse segmento do setor aéreo tem sofrido mais por causa das medidas unilaterais dos governos, com quarentenas decretadas sem planejamento, analisou Dany de Oliveira. A expectativa, segundo ele, é que o fluxo internacional só retome aos níveis de 2019 a partir de 2025. Ele pondera que o lançamento e a distribuição de vacinas eficazes podem melhorar o cenário. “Nesse processo de retomada, a vacina seria um grande impulsionador para os voos comerciais”, afirmou.

Ele frisou que, nos exercícios estatísticos realizados na tentativa de prever o desempenho do mercado aéreo, há ainda muita incerteza para determinar como será a demanda global – e a tendência é que prevaleça mais o pessimismo do que o otimismo, disse. No Brasil, entretanto, ele aponta que deve haver um crescimento mais robusto do que a média mundial.