Evidências mostram que aviação não é vetor de transmissão da Covid-19, diz Iata

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Um dos fatores que têm contribuído para o desempenho do mercado doméstico brasileiro de aviação em comparação aos resultados obtidos por outros países foi a decisão das autoridades governamentais de não fechar o mercado aéreo completamente. Brasil, México e Estados Unidos foram alguns dos poucos países a manterem rotas funcionando, ao contrário de diversas outras nações, como Argentina, Peru, Chile e Colômbia, para dar exemplos latino-americanos, que impediram a movimentação aérea de passageiros. O mercado colombiano foi recentemente reaberto, para poucos voos.

Dany de Oliveira, principal executivo da IATA para o Brasil, ressaltou que há ainda muita incerteza na demanda global, mas o Brasil deve registrar crescimento mais robusto do que a média mundial. Ele frisou que o crescimento mais consistente dependerá da recuperação da confiança do passageiro em voltar a voar.

Para isso, a indústria aeronáutica instituiu protocolos de segurança sanitária em diversas camadas, servindo como filtros sucessivos, para proteger a tripulação, os usuários e demais profissionais que atuam nas instalações aeroportuárias. Para ele, há evidências médicas robustas mostrando que a aviação não é vetor para transmissão da doença. A expectativa é remover tais protocolos sucessivamente tão logo a vacina se dissemine para a população global.

Restaurar a confiança – “Precisa restaurar a confiança para voltar a voar”, resumiu, informando que a IATA tem feito pesquisas periódicas – a próxima será divulgada em setembro – sobre o tema. A última edição, publicada em junho, mostrou que 53% dos passageiros apontaram estarem dispostos a voar novamente pelo menos seis meses após a contenção do vírus. “Isso mostra o grande desafio presente nos setores aéreo e aeroportuário, que é restaurar a confiança dos passageiros, oferecendo evidências de que voar é realmente seguro. E voar é efetivamente seguro”, explicou.

Todas essas camadas foram estudadas por equipe especializadas e baseadas no melhor conhecimento médico sobre o coronavírus com o objetivo de bloquear a contaminação dentro do sistema aéreo, nos aeroportos e nas companhias aéreas, criando disciplina inclusive para tratamento com passageiros assintomáticos.

Dany de Oliveira citou uma análise estatística feita nos Estados Unidos nos 15 aeroportos que, enquanto operacionais, afunilaram o trafego de passageiros internacionais naquele país. De acordo com Center for Disease Control And Prevention (CDC), órgão de controle de doenças, dos 675.000 passageiros que chegaram por voos internacionais nos EUA, menos que 15 estavam com Covid-19, o que mostra um nível de contaminação de dois casos a cada 100.000 passageiros. “Ou seja, a indústria de aviação garante o controle para a não contaminação e para que os governos possam abrir suas fronteiros, pois a aviação comprovadamente não é vetor de transmissão do vírus”, disse aos empresários presentes da reunião do Comitê de Aeroportos da Abdib dia 17 de setembro.

 

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