Com recuo menor, transporte de carga aéreo se recupera lentamente

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A movimentação de cargas no mercado global tem apresentado resultado muito mais robusto do que a de passageiros, segundo Dany de Oliveira, diretor geral da International Air Transport Association (IATA) para o Brasil.

O recuou da demanda agregada de mercadorias nos países por via aérea desde janeiro, quando as primeiras evidências da gripe causada pelo novo coronavírus começaram a se espalhar, afetando primeiramente o mercado chinês, chegou a, no máximo, pouco mais de 20%, com recuperação paulatina desde então.

Oliveira alertou os empresários e especialistas que participaram da reunião do Comitê de Aeroportos da Abdib no dia 17 de setembro para a escassez de capacidade de transporte aéreo de carga. Isso porque a frota completa de aeronaves de grande capacidade, estacionada durante o epicentro global da pandemia, provavelmente não deve voltar a voar no curto prazo – e talvez nunca mais na plenitude registrada anteriormente à crise.

Classificadas como “widebody aircraft”, essas aeronaves de maior capacidade têm sete ou mais assentos por fileira e geralmente são utilizadas para voos longos e intercontinentais, acomodando maior número de passageiros e também maior quantidade de carga de porão em comparação a aeronaves de menor porte.

No mundo todo, antes da crise, havia quase 4.500 dessas aeronaves de maior porte em serviço. Desse total, cerca de 3.000 foram abruptamente estacionadas quando a crise sanitária começou. Atualmente, pouco mais de 2.500 desses aviões estão operando, com níveis de utilização maiores – perto de 11,0 horas por dia, contra 10,6 horas por dia anteriormente.

Logística para vacina – O executivo da IATA calcula que, diante de um mercado aéreo pressionado, recuperar a capacidade de transporte de carga será um desafio que precisará da atenção de todos. Ele calcula que para levar uma dose única de vacina para todos os 7,8 bilhões de habitantes do planeta será necessário contar com aproximadamente 8.000 aviões do porte de um 747-400, de grande capacidade, todos lotados.

Será um grande desafio, resumiu, lembrado que o modal aéreo é o mais eficiente para esse tipo de logística, considerando as distâncias, o tipo de carga e o prazo para a realização do transporte.

 

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