Jornal da Gazeta: Infraestrutura tem condições de atrair capital, mas “crescimento pífio” preocupa

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Em entrevista ao Jornal da Gazeta, veiculada no dia 11 de agosto, o presidente-executivo da Abdib avaliou o cenário e as perspectivas para a expansão dos investimentos em infraestrutura no Brasil. O país tem condições de receber montantes significativos de recursos, sobretudo internacionais, mas não pode negligenciar os indicadores de crescimento econômico. A economia, disse, tem tido crescimento claudicante e “pífio” há quatro anos. Boa regulação e bons projetos criam condição importante, mas não suficiente. A perspectiva de crescimento da economia será relevante para dar expectativa de retorno ao capital dos investidores, disse.

Um exemplo de potencial para novos investimentos é o saneamento, com nova regulação recém-aprovada. Há operadores nacionais e estrangeiros dispostos a investir. A área de gás natural é outra. Há um projeto de lei que melhora o marco regulatório, abrindo espaço para novos investimentos. No Congresso Nacional tramitam “sete ou oito” projetos de lei importantes – em temas como concessões, energia elétrica e licenciamento ambiental – para dinamizar investimentos na infraestrutura.

 “Não precisa pedalar”, diz Tadini, indicando securitização para aumentar investimentos

O presidente-executivo da Abdib, Venilton Tadini, na mesma entrevista, explicou que a estrutura do Estado para a condução dos investimentos públicos mudou muito e isso deveria afastar receios daqueles que defendem reduzir ao máximo os gastos na expansão da infraestrutura. Para ele, a governança pública para a seleção, indicação e execução de projetos de investimento em infraestrutura mudou muito desde 2016 com a criação do PPI e de outros mecanismos e metodologias nos ministérios.

Sobre fontes de recursos, Tadini explicou que “não precisa pedalar” ou driblar o teto dos gastos para realizar investimentos públicos, pois há alternativas. “O governo peca por falta de ousadia”, disse, explicando que as operações de securitização de dívida tributária parcelada, tema que é alvo de projeto de lei que não avança na Câmara dos Deputados, pode trazer entre R$ 30 bilhões a R$ 40 bilhões para investimentos federais por ano.