Para Rodrigo Maia, é preciso “sentar em cima do teto” e “não deixar passar R$ 1”

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O presidente da Câmara dos Deputados defendeu a preservação do teto dos gatos, medida aprovada no Governo Michel Temer, em um momento em que há demandas para aumentar os gastos. Para ele, nos próximos anos, a confiança dos investidores é uma premissa fundamental para que o pais possa atrair investimentos externos. Por isso, na visão dele, não há espaço para crescimento de despesas permanentes no Brasil, o teto de gastos é base da política fiscal. “Essa premissa é muito importante”, disse.

Maia também indicou a reforma tributária como prioridade para melhorar a competitividade da economia nacional. “Se tivermos coragem de sentar em cima do teto e não deixar passar R$ 1, vamos conseguir fazer as outras reformas. Se deixarmos passar, não vamos conseguir fazer as outras reformas”, afirmou.

O presidente da Câmara dos Deputados participou do webinário Infra para Crescer – Caminhos para Superar a Crise, organizado pela Abdib no dia 6 de agosto. O debate contou ainda com a participação de André Clark, presidente da Siemens Energy Brazil e vice-presidente do Conselho de Administração da Abdib; Jorge Nemr, sócio do escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, além de conselheiro e coordenador do comitê de Ética e Responsabilidade Social da Abdib; Luiz Sérgio Vieira, CEO da EY Brasil e conselheiro da Abdib; Venilton Tadini e Ralph Terra, presidente-executivo e vice-presidente-executivo da Abdib, respectivamente. A transmissão ao vivo estará disponível no canal da Abdib no YouTube.

Carga tributária excessiva – Maia reclamou que, no passado, a opção foi por aumentar a carga tributária para financiar o estado brasileiro. “Transferimos para a sociedade a conta, mas não transferimos os serviços”, apontou, indicando que é necessário melhorar a qualidade dos serviços públicos prestados.

Ele justificou a adoção de gastos extraordinários para as medidas de enfretamento da crise derivada da pandemia do novo coronavírus, mas não defende aumento dos gastos depois disso. “Não podemos olhar para o futuro com falsas soluções do passado”, disse. O presidente da Câmara dos Deputados explicou que há pressão grande para ampliar gastos contornando a regra do teto dos gastos e, mesmo concordando com as demandas, indicou que os gastos precisam caber no orçamento fiscal de R$ 1,4 trilhão e nos R$ 350 bilhões concedidos atualmente como subsídios tributários.

O caminho, para o presidente da Câmara dos Deputados, é melhorar os marcos regulatórios para dar conforto e atrair as empresas que quiserem =investir em infraestrutura no Brasil. “Achamos que a reforma tributária pode ter impacto muito grande na recuperação da competitividade do setor privado somado a investimentos em infraestrutura, que precisam ser feitos em parceria com setor privado. O setor público não tem mais recursos para ser alavancador dos investimentos em infraestrutura”, disse, concluindo que, por essa razão, o novo marco regulatório do saneamento básico é importante, tanto quanto o projeto de lei que altera a regulação para o gás natural.

 

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