Encontro com bancos multilaterais avalia programas para sair da crise

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A Abdib realizou, no dia 14 de julho, encontro exclusivo para associados com os representantes dos principais bancos multilaterais para falar sobre as ações e estratégicas adotadas para o auxiliar o Brasil no enfrentamento e na saída da crise.

Quatro executivos dos bancos multilaterais explicaram ações de apoio ao enfrentamento da pandemia, iniciativas para desenvolver a infraestrutura urbana e social no Brasil e os aspecto que podem determinar mais sucesso para dinamizar os investimentos em infraestrutura.

Participaram do encontro Antonio Silveira, vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF); Claudia Prates, diretora-geral do New Development Bank Brasil (NDB); Luis Alberto Andres, coordenador para a área de Infraestrutura no Brasil do Banco Mundial; e Morgan Doyle, representante do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) no Brasil, além de Venilton Tadini, presidente-executivo da Abdib, e Ralph Lima Terra, vice-presidente executivo da Abdib.

No total, participaram 180 pessoas, entre empresários e especialistas de empresas dos setores de infraestrutura, bem como líderes e executivos dos bancos multilaterais.

Os executivos explicaram porque os bancos multilaterais não adotaram decisões para postergar pagamentos de parcelas de empréstimos contraídos por governos como forma de aliviar a pressão sobre o caixa dos entes púbicos, como propôs a Abdib em março.

Segundo eles, as quatro instituições de fomento estão submetidas ao escrutínio de conselhos de administração e agências de classificação de riscos que analisam detalhadamente o fluxo e atrasos em pagamentos – e isso impacta bastante o modelo de negócios dos bancos, que é procurar capital barato para emprestar. Isso não impediu, entretanto, que algumas instituições adotassem o “standstill” para países classificados como pobres. Os executivos apontaram que, em alguns casos, os governos foram ambíguos em relação aos pedidos e que postergar pagamentos para entes subnacionais poderia prejudicar a nota de risco do próprio país, pois a União concede garantia aos empréstimos.

Em resumo, os bancos multilaterais deram informações mostrando que ampliaram rapidamente programas e desembolsos para os governos dos países da região para apoiar o enfrentamento da crise em áreas como assistência social e saúde.

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Há iniciativas para atuar ainda mais intensamente em 2021 a partir de ações em assistência técnica e crédito para estados e municípios, mas também com o governo federal. Muitos dos bancos também apoiam programas de concessão e PPPs dos governos, com assistência técnica para a estruturação de projetos.

Os serviços de infraestrutura urbana ganham relevância na carteira dos bancos multilaterais e há oportunidade – e inclusive necessidade – de atuação conjunta entre as instituições de fomento para ampliar o potencial de apoio ao desenvolvimento de diversos setores e áreas, como mobilidade urbana e sustentabilidade.

Investimentos no curto prazo – Por mais importante que seja a oferta de projetos de concessão e PPPs para o setor privado, os executivos também indicaram que, para acelerar a retomada da economia, com arranque na geração de emprego e de renda, seria oportuno aplicar investimentos púbicos em obras simples, que não demandem projetos e licenças mais demoradas, como manutenção rodoviária, no montante que o orçamento dos governos permitir. A diretriz é compartilhada pela Abdib.

O crescimento da dívida público em proporção ao PIB foi apontado como fator limitador para o investimento do Estado nos próximos anos. As incertezas sobre a perspectiva de demanda, de outro lado, também dificultam decisões de investimento pelo lado privado.

Os setores de infraestrutura foram reconhecidos como essenciais para a retomada da economia e para a saída da crise, com potencial para oferecer ganhos de produtividade e remoção de gargalos econômicos e sociais. A Infraestrutura foi apontada ainda como essencial para preservar vidas, reduzir vulnerabilidades, prover meios de subsistência como empregos e negócios e garantir investimento para a retomada da economia dos países.