Turismo nacional pode ser fator decisivo para retomar atividade aérea no Brasil

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A Abdib reuniu especialistas e operadores de terminais aeroportuários em reunião do Comitê de Aeroportos no dia 17 de junho para discutir os impactos da pandemia nos setores aéreo e aeroportuário, fatores para retorno da demanda, medidas sanitárias, perspectivas sobre os processos de reequilíbrio econômico-financeiro e programas de concessões em curso.

No Brasil, será muito importante, segundo os representantes das empresas, realizar iniciativas que promovam o turismo nacional no Brasil. Um fator que pode contribuir é o câmbio, que desestimula viagens internacionais atualmente, e uma comunicação eficiente indicando as cidades menos afetadas pela pandemia.

Pesquisa realizada pela Iata em março em 11 países – Austrália, Canada, Chile, França, Alemanha, Índia, Japão, Singapura, Emirados Árabes, Reino Unido e Estados Unidos – perguntou quanto tempo as pessoas demorariam para voltar a viajar após a contenção da pandemia ser anunciada. Do total, 14% responderam que não vão esperar nada, 47% vão esperar de um a dois meses, 28% vão esperar mais ou menos seis meses, 8% mais ou menos um ano e o restante não pretende viajar no futuro.

A Iata prevê que a movimentação de passageiros retornará ao patamar pré-covid apenas entre o fim de 2022 e o início de 2023. O Brasil deve presenciar um cenário de retomada mais pessimista, pois a pandemia não foi controlada.

A taxa de crescimento anual na movimentação de passageiros nos aeroportos brasileiros entre 2004 e 2019 cresceu 7,5% em média, com base nos dados históricos de demanda setorial. Antes da eclosão da pandemia, as projeções vigentes indicavam uma taxa de crescimento anual de 3,2% entre 2020 e 2040, período em que o fluxo de passageiros tenderia a aumentar de 218,3 milhões para 433,2 milhões. Essas estimativas devem ser completamente desconsideradas, apontam agora os especialistas.

Escute o segundo episódio do Infra Para Crescer, podcast da Abdib: Qual a chance do setor aeroportuário decolar de novo?

Medidas sanitárias – Segundo os empresários e especialistas do setor, o ambiente ainda é de muita incerteza, tanto na área de saúde quanto na econômica, ambas afetando a tentativa de traçar cenários para os setores aéreo e aeroportuário. A malha aérea e a movimentação de passageiros cresceram na margem, mas mesmo entre os poucos voos programados, muitos são cancelados.

Dar confiança ao passageiro será essencial para a retomada de voos começar e ganhar torque, o que pode demorar trimestres. Às empresas, resta a alternativa de implantarem medidas sanitárias eficientes e esclarecer a população que há segurança para voar. Por isso, as novas medidas sanitárias vão assumir função relevante na retomada.

A Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias (Conaero) criou cinco comitês para promover a recuperação da atividade aeroportuária: protocolos de saúde, reativação ordenada, sustentabilidade financeira, estratégia de comunicação e confiança do usuário. O primeiro já produziu resultados – uma resolução com novas regras sanitárias na operação.

As empresas consideram que as medidas sanitárias mais eficazes serão aquelas mais simples de conduzir, como uso de máscaras, higienização intensiva, medição de temperatura, com comunicação clara e padronizada entre os diversos aeroportos, de forma que os passageiros retomem a confiança para as viagens aéreas.

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