Saneamento básico é o “primo pobre da infraestrutura”, diz Abdib

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O saneamento básico é considerado o “primo pobre” do setor de infraestrutura. Nos últimos anos, foram realizados entre R$ 12 bilhões e R$ 14 bilhões de investimentos em saneamento por ano, em média, segundo números apurados pela Abdib, contemplando os aportes realizados por empresas públicas e privadas e governos. Mas o país deveria estar investindo já há algum tempo algo como R$ 30 bilhões a R$ 35 bilhões anualmente para buscar a universalização dos serviços no longo prazo.

Em 2019, foram investidos na infraestrutura brasileira R$ 13,7 bilhões. O saneamento básico foi responsável por somente 11%, ou R$ 14,7 bilhões, mesmo com todas as carências existentes.

 

Investimentos públicos e privados em infraestrutura (por setor, em % do PIB, 2003-2018)

Para a Abdib, o Projeto de Lei 4.162/2019, se aprovado, será um passo importante e inicial para investimentos crescentes e poderá gerar uma revolução de acesso no saneamento básico, similar ao que ocorreu nas telecomunicações, guardadas as as proporções e peculiaridades. Para a Abdib, o projeto de lei insere muitas inovações positivas na regulação setorial do saneamento básico.

Aproximadamente 17% dos brasileiros ainda não têm acesso ao serviço de água encanada e metade da população não tem acesso à rede de coleta de esgotos. Entre aqueles que recebem água tratada, em muitas localidades o serviço não é regular. Há ainda mais de 3.300 lixões espalhados pelo país.

Outro problema grave que existe no setor é o elevado volume de perda de água, causado por vazamentos, em maior parte, e fraudes, em menor escala. Essas perdas representaram quase 40% de toda água potável tratada no país em 2018, segundo o Instituto Trata Brasil. Nos países mais desenvolvidos, esse indicador costuma ser inferior a 20%.

Há apetite do setor privado para investir na expansão da infraestrutura de água e esgoto no Brasil. Nas estimativas da Abdib, o saneamento básico pode atrair mais de R$ 500 bilhões de investimentos em volumes crescentes ao longo dos próximos anos.