PIB: Dados apresentam desaceleração da economia já no primeiro trimestre de 2020

198

O resultado do PIB do 1º trimestre de 2020 evidencia que o PIB fraco do ano anterior já caminhava para o ano subsequente. Agora, o PIB apresentou retração de 1,5% no primeiro trimestre de 2020 (comparado ao quarto trimestre de 2019), na série com ajuste sazonal. Na comparação com igual período de 2019, o PIB teve variação negativa de 0,3%. No acumulado nos quatro trimestres, terminado em março de 2020, o país registrou aumento de 0,9%, comparado aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Se analisarmos os setores, a indústria (-1,4%) e os serviços (-1,6%) apresentaram recuo, enquanto a agropecuária (0,6%) cresceu. Decompondo as atividades industriais temos que a queda foi puxada sobretudo pelas indústrias extrativas (-3,2%), mas também pela indústria da construção (-2,4%), as indústrias de transformação (-1,4%). Cabe destacar o resultado muito ruim apresentado pela indústria de transformação no PIB, que atingiu seu menor valor da série histórica, 10,8% em relação ao PIB.

Pela ótica da despesa, a despesa de consumo das famílias (-2,0%) registrou queda, enquanto a formação bruta de capital fixo (3,1%) e a despesa de consumo do governo (0,2%) tiveram variações positivas em relação ao trimestre imediatamente anterior. No que se refere ao setor externo, as exportações de bens e serviços tiveram contração de 0,9%, enquanto as importações de bens e serviços cresceram 2,8% em relação ao quarto trimestre de 2019.

Resumidamente, os dados da construção, da indústria de transformação e do consumo das famílias reforçam a preocupação com o PIB de 2020. Esses dados devem impactar uma queda acentuada do produto nos próximos trimestres.

Segundo Igor Rocha, diretor de Planejamento e Economia da Abdib, vale lembrar que os números deste primeiro trimestre ainda não refletem todo o impacto do coronavírus na economia. As medidas de isolamento nos principais centros econômicos do país começaram apenas na última semana de março. A paralisação de várias atividades produtivas e a queda das demandas interna e externa causaram forte retração nos indicadores setoriais com impactos maiores a partir do 2º trimestre.  “Logo, é de se esperar que o que está ruim irá piorar, e muito”, disse. “Com a atualização dos dados que temos até o momento, trabalhamos com um cenário de contração do PIB em -7% para 2020, com viés de piora”, disse.

Para a Abdib, a velocidade de reação da economia brasileira dependerá do tempo, da forma de atuação e da assertividade de atuação do setor público. Medidas para a reativação da economia devem ser pensadas e estruturadas desde já dando aos investimentos públicos em infraestrutura o caráter de indutor da retomada crescimento, dado seus altos efeitos multiplicadores de renda e emprego. “Priorizar os investimentos em infraestrutura é aquecer a cadeia produtiva e fornecedora de bens e serviços, é promover o aumento do emprego e gerar dinamismo na economia”, explica Igor Rocha.