Setor aeroportuário prepara-se para retomada pós-crise

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O setor aeroportuário e o de aviação civil são os que mais sofrem os efeitos da covid-19 na área de infraestrutura.

Desde o começo, as viagens aéreas foram vistas como facilitadoras de contágio entre as pessoas, levando a restrições nos aeroportos, cancelamento de voos internacionais e locais e até ao fechamento de fronteiras.

Em consequência, houve redução de mais de 90% na malha aérea essencial, com 1.241 voos semanais, em relação à malha prevista anteriormente (14.781 voos semanais), o mínimo para assegurar a conectividade entre as principais cidades do país.

Isso causou um impacto tremendo sobre o caixa das companhias aéreas e dos aeroportos, que, além de perder faturamento, teriam de devolver o valor das passagens e das tarifas de embarque, pois as vendas, principalmente no setor de turismo, são feitas com razoável antecedência.

Mas o governo foi muito rápido e sagaz em perceber o tamanho do problema e editou uma medida provisória que permitiu o adiamento de viagens, sem multa, e o aumento do prazo para devolução do dinheiro de um mês para 12 meses.

Outro apoio importante do governo foi permitir a postergação do pagamento das outorgas às concessionárias dos aeroportos até o fim do ano, o que dá um fôlego para o setor sobreviver.

Logística de equipamentos de saúde

Queremos que todo mundo consiga superar este momento de crise, que as empresas não precisem fechar as portas e que, quando a normalidade voltar, possamos retomar as rotas e oferecer voos com as frequências que tínhamos antes.

No comitê de aeroportos da Abdib, promovemos grande interlocução entre seus componentes, envolvendo tanto operadores quanto escritórios de advocacia, pessoal de seguros, de engenharia etc., buscando uma forma de minimizar os impactos da crise.

Temos levado ideias e propostas à Secretaria da Aviação Civil e à Anac e, enquanto isso, o setor ajuda na logística de distribuição dos equipamentos de saúde tão necessários em todo o país.

Não é o nosso setor que vai puxar a retomada econômica, embora devamos ter alguns investimentos no pós-crise.

Ainda vivemos a primeira etapa da pandemia, que poderá atrasar um programa de concessões de aeroportos de muito sucesso, com cinco rodadas concluídas.

No momento, ninguém consegue dizer quanto tempo vai levar para superarmos esta crise, e isso condiciona o andamento dos processos, especialmente no âmbito federal, no qual uma sexta rodada já estava em andamento.

O que podemos dizer é que o governo federal tem se empenhado em manter os cronogramas, assim como o de São Paulo.

Ambos desenvolvem esforços na parte administrativa junto a tribunais de contas, agências reguladoras e outros organismos para manter os prazos previstos e levar as concessões a leilão.

Mas é possível que haja postergações em função das dúvidas que perduram no mercado.  Não porque as autoridades não estejam se empenhando, mas porque faz sentido aguardar alguns meses para existir um cenário mais claro.

É importante também observar as mudanças que vão ocorrer no desenho do setor aeroportuário depois que a crise passar.

Mudanças de hábito das empresas – que deverão substituir por teleconferências as reuniões presenciais, que envolviam grande número de viagens aéreas – vão afetar o faturamento das companhias.

Desconhecemos igualmente qual será o comportamento do passageiro de turismo.

Já passamos por outras crises, como a dos ataques terroristas nos Estados Unidos, e sabemos que depois de algum tempo as pessoas voltam a viajar.

Ainda não sabemos quando isso vai acontecer, mas estaremos prontos para a retomada.

Marcelo Allain é coordenador do Comitê de Aeroportos da Abdib