Para evitar “segunda onda” da crise, empresários listam medidas para infraestrutura seguir funcionando e reativar a economia

520

* Setor quer coordenação eficiente entre governos e poderes públicos para estabelecer condições adequadas para garantir funcionamento ininterrupto dos serviços públicos essenciais

* Medidas emergenciais focam na preservação das receitas em ambiente de queda significativa de demanda e decisões oportunistas que ameaçam fluxo de caixa

* Abdib quer evitar deterioração da saúde financeira de concessionárias e consequente pressão do mercado de capitais por antecipação de pagamento de dívidas

* Quando novos protocolos de saúde permitirem, infraestrutura será plataforma para manter atividade via investimentos públicos e privados, diz Abdib

A Abdib elaborou um documento com propostas para contribuir com o esforço das autoridades públicas e dos mais variados segmentos sociais e empresariais para o enfrentamento das consequências da pandemia causada pelo covid-19. As sugestões foram organizadas após consulta a mais de 50 conselheiros que representam empresas e setores produtivos que atuam em variados da cadeia produtiva do setor de infraestrutura, incluindo concessionárias de serviços, construtoras, fornecedores de bens e serviços, escritórios de advocacia, empresas financeiras e de seguros, entre outras.

Uma das preocupações da Abdib, listadas em um grupo de medidas emergenciais, é garantir que as concessionárias de serviços públicos possam manter o fornecimento ininterrupto em áreas como energia elétrica, gás natural, transportes de passageiros e cargas pelos mais diversos modais, água e esgoto, limpeza urbana e resíduos sólidos, iluminação pública e telecomunicações. Para isso, a Abdib recomenda medidas operacionais para que haja condições adequadas para equipes de manutenção e operação dos serviços públicos possam atuar.

 

Leia o documento “Medidas para garantir os serviços de infraestrutura e manter a atividade econômica“, elaborado e divulgado pela Abdib

 

Ainda na esfera de medidas emergenciais, a Abdib pede coordenação eficiente do poder público para preservar o fluxo de receitas das concessionárias em um momento em que elas já estão pressionadas devido à redução significativa da demanda por diversos serviços. “Há uma enxurrada de propostas atípicas e oportunidades de entes públicos que ameaçam ainda mais o fluxo de receitas das empresas”, explica Venilton Tadini, presidente-executivo da Abdib.

Com as medidas emergenciais, a Abdib se antecipa e quer evitar que ocorra uma possível deterioração da saúde financeira de concessionárias de serviços públicos essenciais de infraestrutura e, caso isso ocorra, uma provável e consequente pressão dos agentes do mercado de capitais por antecipação de pagamento de dívidas. “Seria uma segunda onda da crise econômica, de cunho financeiro, posterior à atual, que tem natureza de choque de oferta e de demanda, que nos colocaria o país numa situação muito mais difícil ainda”, afirma Tadini.

A Abdib também lista medidas importantes para uma próxima fase do enfrentamento da crise, quando novos protocolos de saúde permitirem que diversas atividades econômicas possam voltar a um nível de normalidade relativo. A infraestrutura será plataforma para manter a atividade econômica e a Abdib quer a expansão dos investimentos públicos e privados por meio de uma política fiscal expansionista.

Algumas medidas, por exemplo, visam oferecer alívio financeiro para as empresas que têm empréstimos contratados. Governos também são alvo das medidas desta natureza. Por exemplo, a Abdib sugere que bancos multilaterais como Banco Mundial, BID e CAF se suspendam os pagamentos dos empréstimos junto a órgãos da União, estados e munícipios. “Isso daria fôlego para muitos entes públicos, sobretudo prefeituras, para o pagamento de serviços essenciais, como é o caso da limpeza urbana e gerenciamento de resíduos sólidos urbanos”, cita Tadini.

O mesmo vale para uma negociação para obter apoio do New Development Bank (NDB) para prover funding para ações de combate ao civd-e para manter a atividade na economia por parte de estados e munícipios, a atuação do banco é fundamental.

A Abdib considera que é apropriado que bancos públicos, especificamente Caixa e Banco do Brasil, ofereçam linhas de crédito para financiamento da folha de pagamento das empresas, com taxa, carência e prazos de pagamento adequados, com o objetivo de manter os empregos e o consumo. Além disso, a entidade defende a postergação do pagamento de impostos federais e estaduais por 120 dias, incluindo refinanciamentos de dívida tributária, bem como prorrogar o do prazo para apresentação das obrigações acessórias das empresas.