PIB vem em linha com as expectativas de mercado, mas investimento preocupa

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Como esperado, o PIB de 2019 veio em linha com as expectativas de mercado, crescendo 1,1% na comparação com o ano anterior. Com isso, a economia brasileira atingiu patamar semelhante ao registrado de 2013. A despeito do resultado positivo dos últimos três anos, este não compensou as quedas de 2015 e 2016.

Ademais, no acumulado do ano de 2019, o PIB apresentou desaceleração em relação a 2018, caindo de 1,3% para 1,1%. O mesmo movimento é percebido na ótica pontual dos trimestres. No 4º trimestre de 2019, o PIB cresceu 0,5% na comparação com o trimestre anterior, mas isso representa uma desaceleração frente ao avanço de 0,6% registrado no 3º trimestre quando comparado ao trimestre imediatamente anterior.

Pela ótica da despesa, no 4º trimestre de 2019, a formação bruta de capital fixo (FBCF) – importante termômetro dos investimos – caiu 3,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal). Já a despesa de consumo das famílias e a despesa de consumo do governo cresceram, respectivamente, 0,5% e 0,4% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

Na avaliação da Abdib, essa composição é bastante preocupante uma vez que os investimentos, variável importante para a retomada da economia, têm apresentado desaceleração.

Para a Abdib, a recuperação da economia já é a mais lenta em comparação a outros processos de recuperação econômica no período recente, superando até mesmo a crise de 1929. No Brasil, uma agenda para a retomada da atividade econômica deveria envolver medidas pragmáticas para aceleração dos investimentos. “O país precisa voltar a investir, reduzir incerteza política, competir, inovar, abrir novos mercados”, diz Igor Rocha, diretor de Planejamento e Economia da Abdib.

A Abdib, em linha com os modelos internacionais de fomento de expansão da infraestrutura, tem defendido uma ação conjugada entre investimentos públicos e privados para a retomada das inversões no setor.

“Há caminhos possíveis, mesmo no atual cenário macroeconômico. Diante dos reconhecidos efeitos multiplicadores do setor de infraestrutura, é importante que recursos oriundos das outorgas e dos importantes programas de concessões empreendidos pelos governos possam também ser, alternativamente, direcionados aos investimentos no setor”, explica o diretor da Abdib. “Tal ação poderá efetivamente contribuir para a retomada do investimento, que é uma variável central para a recuperação da economia”, conclui.