Barômetro da Infraestrutura: No longo prazo, empresários do setor estão otimistas com a economia

1880

A Abdib apresenta as constatações da segunda edição do Barômetro da Infraestrutura Brasileira, pesquisa realizada pela Abdib em conjunto com a EY e lançado no dia 1 de novembro. O Barômetro da Infraestrutura é uma sondagem semestral que captura a opinião de CEO, profissionais em cargos de liderança, tomadores de decisão e especialistas que apoiam a estruturação de projetos de infraestrutura de empresas associadas da Abdib.

Participaram da pesquisa 234 profissionais, que responderam o questionário entre 9 e 20 de setembro de 2019. Há deterioração do ânimo quanto ao crescimento no curto prazo, otimismo para a situação da economia em 2022 e mais holofotes para a condução da agenda de investimentos nos estados – que começam a chamar a atenção, receber reconhecimento e também cobrança.

Uma das constatações é que, em relação à sondagem apresentada em maio deste ano, aumentou a parcela daqueles com expectativas mais pessimistas (de 17,6% para 24,4%) com relação ao crescimento da economia brasileira no curto prazo. Consequentemente, diminuiu a parcela daqueles que têm expectativas mais otimistas (de 31,3% para 20,9%).

Apesar do pessimismo no curto prazo, os profissionais dos setores de infraestrutura se mostram otimistas em relação ao crescimento econômico do país até o fim do mandato do atual presidente, em 2022 (56,4% indicaram otimismo, 29,1% estabilidade e 13,3% pessimismo).

Papel do poder público – Uma das qualidades exclusivas da sondagem é investigar o quanto os governos estão conduzindo ações pertinentes para aproveitar o potencial de investimento em infraestrutura por concessões e PPPs. A União foi considerada a esfera administrativa onde foram tomadas as decisões mais importantes para a promoção de investimentos em infraestrutura nos últimos seis meses (71,8%), seguida por estados (17,5%) e municípios (3,9%). Em consideração à primeira edição do levantamento, a União recebeu votação ligeiramente menor e os estados um pouco maior, o que ressalta reconhecimento majoritário para o poder federal, mas ascendente para o estadual.

Apesar de ser reconhecida como principal tomadora de decisões na agenda da infraestrutura, União também ainda é percebida como o ente que mais precisa se esforçar. Quando perguntados sobre qual esfera administrativa precisa se esforçar mais para a promoção de investimentos em infraestrutura nos próximos seis meses, 49,6% dos respondentes indicaram a União (52,1% na primeira pesquisa, em maio deste ano), 36,3% os estados (28,4% em maio) e 10,7% os municípios (17,5% em maio). Os estados receberam votação maior agora, mostrando que parcela maior dos entrevistados acham que eles precisam se esforçar mais pois há potencial adormecido.

Cidades aproveitam pouco – Segundo 45,3% dos entrevistados, o governo federal é a esfera administrativa que possui maior potencial para concessões e PPPs, seguido pelos governos estaduais (35,5%). Porém, tanto a esfera federal quanto as estaduais e municipais aproveitam muito pouco ou nada este potencial.

A União é o ente que aproveita melhor esse potencial, mesmo que parcialmente (39,3%). A pressão está maior sobre estados (71,4% respondem que tal ente aproveita muito pouco ou nada) e municípios (80,6%). Na iminência de uma nova eleição municipal, em 2020, os respondentes apontaram que os municípios devem fazer mais para aproveitar liberar o potencial em concessões e PPPs.

Algo ficou inconcluso – Os profissionais do setor de infraestrutura foram perguntados se as expectativas deles com relação ao cenário para promoção de investimentos em infraestrutura no país nos últimos seis meses foram atendidas ou não. A resposta é que permanece um sentimento de que algo ficou para trás.

Somadas, as três opções que indicam algum nível de frustração (as expectativas não foram concretizadas totalmente, se concretizaram em nada ou se concretizaram parcialmente) receberam votação de 81,6% dos respondentes, contra 86,7% na pesquisa realizada seis meses atrás. O sentimento de frustração e de expectativas não atendidas já foi pior, mas continua muito elevado.

Apoio aos entes subnacionais – A pesquisa também avalia a percepção dos empresários quanto ao esforço em apoio a entes subnacionais para endereçar etapas importantes para liberar investimentos em concessões e PPPs. A resposta é praticamente uníssona: União e estados têm espaço para fazer mais pelos entes subnacionais dentro dos limites constitucionais para que haja mais investimentos em infraestrutura via concessões e PPPs.

Especificamente quanto aos estados, aumentou a parcela de especialistas que considera haver espaço para maior apoio aos entes subnacionais, no caso, os municípios, para promover concessões e PPPs. Elaboração de planos municipais, estudos e projetos são possibilidades. Somente 3,4% dos respondentes consideram que a União faz o máximo possível em apoio aos entes subnacionais. Os estados fazem o máximo que podem em prol dos municípios para liberar o potencial de investimentos em infraestrutura para 0,9% dos entrevistados.