Programa federal elevou produtividade em 52% em 3.000 indústrias pequenas e médias

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O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Igor Calvet, participou de reunião dos Comitês de Indústria e de Inovação da Abdib, na sede da associação, em São Paulo, no dia 6 de novembro. Ele destacou o papel da agência na conexão entre governo e empresas para impulsionar iniciativas que resultem em ganhos de produtividade e inovação em todo o país. Calvet assumiu o cargo no dia 4 de setembro e veio para a Abdib acompanhado de Bruno Jorge, diretor de Indústria 4.0.

Calvet explicou iniciativas já adotadas nos últimos anos pela ABDI para aumentar a produtividade das indústrias, sobretudo pequenas e médias. A principal é o Programa Brasil Mais Produtivo (B+P), criado em 2016 com objetivo de introduzir técnicas e ferramentas para elevar padrões de produtividade em pequenas e médias empresas por meio de melhorias rápidas, de baixo custo e alto impacto, estimulando a digitalização e adoção de tecnologias inovadoras.

O programa gerou um ganho médio de 52% na produtividade das 3 mil empresas que participaram da iniciativa federal entre 2016 e 2018. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) e pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) produziram uma avaliação de desempenho lançada em dezembro de 2018, pouco tempo depois do B+P, considerado uma política industrial microeconômica, ser instituído como política de Estado por Decreto Presidencial.

Depois de explicar o histórico e os resultados do Programa Brasil Mais Produtivo, o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial informou que a agência estuda agora como ampliar a quantidade de empresas e os setores industriais atendidos e como transformar o B+P em porta de entrada para incorporação de tecnologia e inovação. Nos próximos dias, um novo plano de ação da agência industrial será apresentado, para validação, no Conselho Deliberativo da ABDI.

Manufatura enxuta – O conceito de manufatura enxuta (lean manufacturing) foi inicialmente desenvolvido na Toyota Motor e posteriormente absorvido por outras indústrias automobilísticas japonesas na década de 1950. A diretriz é eliminar desperdícios e elementos desnecessários dentro do processo produtivo e, assim, reduzir custos no sistema de produção, aumentar a qualidade dos produtos, diminuir o tempo de entrega dos bens e a quantidade de defeitos.

Na prática, o sistema de manufatura enxuta busca eliminar perdas causadas por excesso de produção, por demora no recebimento de materiais e peças necessárias, por falhas no transporte de materiais e pessoas, por movimentos do trabalho desnecessários às operações, por quantidade de defeitos e por manutenção de estoques excessivos, por exemplo.

Uma característica essencial do sistema da manufatura enxuta é a procura por otimizar os movimentos do trabalhador necessários ao processo de produção, por meio do estudo de métodos e tempos do trabalho, de forma a obter soluções simples e de baixo custo, o que possibilita ganhos de produtividade acentuados. Portanto, a adoção do conceito permite – com baixo investimento – conseguir que a linha de produção de uma empresa apresente ganho significativo de produtividade que se reflita, potencialmente, na melhoria dos indicadores de lucratividade.

Resultados – Segundo o relatório da Cepal e do Ipea, a meta proposta pelo programa (aumentar a produtividade das empresas em 20%, no mínimo) foi amplamente superada. O ganho médio de produtividade das empresas atendidas foi de 52,1%. A redução média do movimento de trabalho foi de 60,6%, mostrando que, em média, as empresas participantes do programa reduziram em mais da metade a movimentação desnecessária de funcionários, implicando ganhos de eficiência. A redução média do retrabalho foi de 64,8% para as empresas atendidas.

O tempo de retorno do investimento indica que, na média, as melhorias implantadas pelo programa fazem com que as empresas recuperem o montante total investido (R$ 18 mil) em cerca de cinco meses e o montante aplicado pelo empresário (a contraparte de R$ 3 mil) em cerca de 24 dias, em média. O indicador de retorno sobre o investimento mostra que as empresas participantes do B+P tiveram, em média, um ganho anual, devido às melhorias implantadas pelo programa, em cerca de onze vezes o valor do investimento total do B+P (R$ 18 mil).