Tadini, da Abdib: Brasil é um balão cheio à espera de um “ventinho”

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O presidente-executivo da Abdib, Venilton Tadini, participou do seminário “Brasil 2020 – Aceleração ou Inércia: Quais as expectativas para o País?“, organizado pela Amcham Brasil no dia 25 de outubro, em São Paulo. Ele apresentou o quanto a infraestrutura pode contribuir para o crescimento econômico em 2020 ao lado de líderes de setores produtivos considerados importantes para a retomada do crescimento: Júlio Gomes de Almeida (Iedi), que analisou as perspectivas para a indústria, Abrão Árabe Neto (Amcham), que abordou os cenários para o comércio exterior, e Sérgio Galindo (Brasscom), que apresentou oportunidades e desafios para as áreas de tecnologia de informação.

Tadini criticou a demonização de instrumentos e políticas públicas importantes por causa de erros de condução de governos passados, o que não deveria derivar para a extinção de tais instrumentos ou políticas públicas – por exemplo, o BNDES, investimentos públicos e política industrial. Ele ressaltou que há espaço para o setor privado investir, mas que o gasto público é importante, sobretudo na função de investimento, com racionalidade e planejamento. Lembrou ainda o exemplo da Alemanha, que estipulou meta de participação da indústria no PIB de 30% para 33% para enfrentar recuo da atividade econômica.

Além de uma análise da situação macroeconômica, Tadini indicou as perspectivas para a infraestrutura, quando pontuou que os setores de petróleo e gás natural, saneamento básico, energia elétrica e transportes devem propiciar um crescimento dos investimentos no setor de infraestrutura. Ele explicou que há reformas regulatórias importantes em curso – por exemplo, em saneamento e eletricidade – bem como mudanças estruturais nos mercados que vão impulsionar investimentos. Nas rodovias, há perspectiva de as concessões aumentarem de 15% para 30% da malha federal asfaltada. Em ferrovias, há investimentos de mais de R$ 60 bilhões represados à espera de renovação de concessões e novos projetos.

O presidente-executivo da Abdib afirmou que o Brasil tem um programa para aumentar os investimentos em infraestrutura de 1,8% do PIB para 3,5% do PIB em quatro anos e que será importante haver financiamento no mesmo montante. Tadini encerrou a participação no seminário indicando que o Brasil é como um balão cheio – pois há inflação e juros baixos, reservas cambiais satisfatórias, preços administrados e câmbio alinhados – e que aguarda um “ventinho” para voar, mas que o excesso de conservadorismo fiscal tem atrapalhado.

Quando abordou fontes de financiamento para suportar o volume de investimentos que está por vir, Tadini disse que é importante poder contar com um BNDES forte e que será preciso aproveitar o capital externo, criando instrumentos de proteção contra variações cambiais. O mercado de capitais terá contribuição importante. Há também um volume significativo de recursos disponível em investidores institucionais que podem migrar para o setor de infraestrutura, via debêntures, caso haja isenção tributária também para este perfil de investidor.