Parcela da distribuição na conta de luz diminuiu de 40% para 18,8%, diz Abradee

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A participação do segmento de distribuição na composição das tarifas de energia caiu de 40% para 18,8% nos últimos 12 anos, informou o presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), Marcos Aurélio Madureira.

Em entrevista à Agência iNFRA, o executivo disse que a participação dos encargos setoriais é hoje o maior peso nas tarifas (41,2%), seguida pela geração de energia (33,3%). “A parcela da distribuição, ao longo dos tempos, tem-se reduzido. Por exemplo: 12 anos atrás, esse mesmo montante que hoje é em torno de 19%, já foi de 40%”, disse Madureira, que assumiu a presidência da associação no fim de maio.

Relacionamento com o consumidor
O presidente da Abradee comentou que quando um consumidor percebe o aumento na conta, no entanto, culpa a distribuidora, pois a tarifa é paga a ela. “Isso tem sido um motivo grande de preocupação do setor de distribuição e da Abradee, que é fazer com que não exista um aumento dessas parcelas que não são parcelas da distribuição, mas que oneram o consumidor e dificultam a própria relação desse consumidor com a distribuidora.”

Ganhos de eficiência e menor WACC
A diminuição dessa parcela deve-se a dois fatores majoritariamente. Explicou: “Principalmente por aspectos relacionados à transferência para a modicidade tarifária, ou seja, para a redução da tarifa, de questões como a eficiência, os ganhos de eficiência que as empresas tiveram. Ou também a redução nas próprias taxas do WACC, que é a taxa de retorno, para os investimentos na distribuição”.

“Os reajustes que nós estamos tendo nos últimos tempos, eles são, basicamente, ou aumento de encargos, ou aumento da parcela de energia. Principalmente pelo despacho de usinas térmicas, isso faz com que tenha um aumento da energia”, analisou.

A favor da modernização do setor
Questões como a abertura do mercado de energia, a geração distribuída e a inclusão de novas tecnologias no setor elétrico levam Madureira a ver a ocasião de sua chegada na Abradee como um “momento muito peculiar”. O executivo está otimista: “Estar na associação num momento como esse é muito bom, porque há o desafio, existe o crescimento do setor como um todo”.

A modernização do setor, que volta a ser discutida no Congresso Nacional no PL 1.917, na Câmara, e no PLS 232, no Senado, é vista pela associação como algo necessário. “Nós não temos nenhuma posição contrária à modernização do setor. Ela não existe porque alguém quer. Ela existe pela própria evolução tecnológica, pelas próprias oportunidades que existem dentro do setor. A nossa ponderação é uma ponderação até mais no sentido de defesa do mercado regulado.”

Mercado livre 
A abertura do mercado é o primeiro ponto que, segundo Madureira, deve ter atenção. Isso porque o consumidor do ambiente regulado não deve pagar pelo benefício que a contratação livre proporciona aos que a escolhem. Ele explicou que o consumidor livre compra a energia de fontes mais baratas, como eólica e solar.

Porém, no ambiente regulado é onde se adquire a energia que dá estabilidade e segurança ao sistema brasileiro. Um exemplo é em relação às termelétricas, que geram energia sempre que necessário, mas, pelo alto custo, não são frequentemente contratadas no mercado livre. “Da mesma maneira, por exemplo, nós precisamos de fontes com Itaipu, as fontes como nucleares de Angra, que são fontes importantes para o suporte elétrico brasileiro, mas quem custeia essas fontes é só o mercado regulado”, observou Madureira.

“É claro que o mercado livre oferece produtos diferentes. Isso é normal, natural, e é bom que isso ocorra. Porém, o que não pode existir é o mercado regulado pagar pelo suporte energético para que o mercado livre exista. Esse custo tem que ser dividido entre essas fontes”, ponderou.

Quanto à geração distribuída, o executivo defende mudanças no modelo. Isso porque o usuário não paga uma série de custos, como o uso da rede de distribuição. Do jeito que está, segundo ele, a tendência é que a conta do consumidor comum fique ainda mais alta, já que tem de arcar com o que não é pago por quem gera a própria energia.

“Subsídio é algo que pode até existir, um incentivo para que uma fonte continue. Mas ele tem que ter inclusive a origem de recurso, e não dos próprios consumidores. Esse é o ponto que a gente defende. Essa defesa, você entende que ela não é nem do mercado de distribuição, mas é de todo o mercado regulado, que é conduzido pelas distribuidoras.”

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA especialmente para o portal da Abdib.