Belluzzo: Questão urgente pode afastar eleitorado de candidato radical

1353

A gravidade dos “problemas concretos” do Brasil pode fazer com que a disputa entre os presidenciáveis se torne “mais razoável”, mesmo em um momento de radicalização política, segundo Luiz Gonzaga Belluzzo, doutor em economia pela Unicamp e fundador da Faculdades de Campinas (Facamp). “Tem que saber o que eles propõem para o país”, disse ao Valor nesta segunda-feira, após participar de evento promovido pela Associação
Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib).

Para Belluzzo, questões urgentes como a alta taxa de desemprego podem afastar o eleitorado de candidatos mais radicais e do “debate mais prejudicial ao país”. Apesar de fazer a ressalva de que não é especialista em conjuntura eleitoral, ele acredita, por exemplo, que o atentado contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL) deve gerar apenas “um suspiro emocional” e “natural”, sem impactos mais significativos na disputa pelo Palácio do Planalto. “Acho que as pessoas estão exagerando, pensando que, por causa desse episódio, as opiniões as intenções de voto vão mudar muito”, disse.

Mesmo assim, ele cobrou dos candidatos “que se incumbissem” de manter as discussões concentradas nesses problemas mais concretos. “O liberalismo político está muito ameaçado”, afirmou.

No mesmo evento, o ex-ministro da Fazenda e integrante da Assembleia Constituinte de 1988, Delfim Netto afirmou que é preciso “eleger alguém com musculatura política”, para que seja colocado um fim na disputa exacerbada, segundo ele, entre os poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. Delfim não  disse quem pode ser essa pessoa, mas foi aplaudido pela plateia de empresários, representantes do setor de infraestrutura e economistas no
momento de sua fala. Ele destacou a importância da divergência no debate público, “que ajuda a encontrar o caminho mais seguro”.

O ex-ministro se mostrou pessimista com a formação do novo Congresso, calculando que, de cada dez deputados eleitos atualmente, sete devem renovar seus mandatos. Os outros três devem ser ligados a bancadas religiosas “e ao PCC, que é quem hoje tem dinheiro para eleger”. Delfim também afirmou que “a situação fiscal é mais grave do que parece” e que a solução “não é o aumento de despesas”.

Valor Online