Meirelles defende controle das contas públicas

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O candidato do MDB à presidência, Henrique Meirelles, afirmou que o aumento das despesas públicas para gerar crescimento é “falácia do governo anterior, chamada nova matriz econômica”, classificada por ele como “desastrosa”.

“Gastar bastante e incentivar o crescimento para crescer muito gerou aumento da confiança? Não. O investimento e o crescimento foram diminuindo de 2011 a 2016, caiu sem parar”, afirmou Meirelles comparando com seu período no Banco Central, do governo do ex-presidente Lula entre 2003 e 2010, e dizendo que, quando houve controle, o crescimento chegou a média de 5% ao ano e os investimentos a 4,6% do PIB.

“Descontrole e esculhambação não geraram crescimento em país nenhum”, afirmou o candidato do partido do governo, lembrando que não há soluções fáceis para os problemas do país tem que enfrentar.

Meirelles defendeu a regra do teto de gastos, dizendo que é errado dizer que ela impõe teto para saúde e educação, quando o que ocorre nesses dois setores é um piso de gasto. Mas, segundo ele, só é possível cumprir a regra com a Reforma da Previdência.

“Temos que enfrentar a questão da Previdência Social, que é questão de justiça. É um dos maiores processos de transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos da história da humanidade”, afirmou o ex-ministro da Fazenda do governo de Michel Temer, apontando o gasto com a previdência dos servidores como o maior problema.

Segundo ele, será o controle dos gastos previdenciários que vai abrir o espaço fiscal necessário para investimentos públicos e até mesmo para subsídios para setores. Para Meirelles, sem controle, não há como fazer esse tipo de gasto.

Meirelles iniciou sua fala dizendo-se confiante de que vai vencer a eleição depois que a população puder conhecer seu trabalho nos governos Lula e Temer. Ele defendeu que é necessário criar um clima de estabilidade no país para que seja possível honrar contratos e os investimentos voltarem. Sem citar nomes, Meirelles criticou a proposta do candidato do PDT, Ciro Gomes, de retomar campos de petróleo que foram licitados.

“Tem candidato aí propondo tomar de volta áreas licitadas. Imagina alguém que vai investir no Brasil num ambiente desse?”, afirmou Meirelles dizendo que recebeu num evento internacional no início do ano a informação de que só haverá investimentos no Brasil após o processo eleitoral.

O candidato contou as dificuldades que enfrentou para fazer o país entrar na OCDE. Segundo ele, desde 2007 há proposta para entrar nessa associação dos países que enfrenta resistências dentro do governo. “Os servidores dizem: não queremos fazer parte do clube dos ricos. Queremos fazer parte do clube dos pobres”, disse o candidato.

O presidenciável usou atos do governo Temer para mostrar que vai dar independência para agências reguladoras, como o que foi feito com as novas normas para a nomeação de diretores para os bancos públicos. Ele também apontou a proposta de que os diretores tenham um substituto para evitar paralisação em caso de vacância e que elas tenham autonomia financeira.

Outra proposta para melhorar a segurança jurídica é a de criar um “sistema integrado e interativo de planejamento, com mesas de diálogo público privada, incluindo órgãos de controle”. Meirelles também afirmou que é possível retomar as 7,4 mil obras paradas no país, cujos valores estimados por ele são de R$ 77 bilhões.

Meirelles foi aplaudido ao fim de sua apresentação, sem muita efusividade.

 

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Imagem: Geraldo Lima / Abdib

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA especialmente para o portal da Abdib.