Manuela: “Investir não pode ser crime”

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Manuela D’Ávila, representante da coligação do candidato à presidente pelo PT, Lula, defendeu mudanças nos sistemas de controle do estado sobre os investimentos para que seja possível voltar a investir, além de afirmar que haverá a reversão da Emenda 95, do teto de gastos, em caso de vitória da coligação.

“Precisamos pensar em como fazer com que os atos de corrupção não aconteçam mais. Mas o que acontece no Brasil é que nós, ao combatermos a corrupção, paralisamos os investimentos. Teremos que fazer uma nova equação”, afirmou a representante, deputada estadual pelo PC do B, que deve ser a vice-presidente caso a candidatura de Lula seja impugnada. “Investir não pode ser crime”.

Sobre o teto de gastos, Manuela afirmou que a política não funcionou porque inibiu os investimentos e, com isso, aprofundou o déficit público do país. “O resultado [do teto de gastos] foi melhoria ou diminuição do déficit fiscal? Não. Se investe menos, se arrecada menos. Ess

e ciclo atual precisa ser cortado”, disse a representante que relembrou a proposta do PT de usar até 10% das reservas internacionais para investimentos em infraestrutura o que, com outros recursos, somaria algo em torno de R$ 100 bilhões.

Segundo ela, a prioridade do programa da coligação será retomar as 7 mil obras paradas no país.

Manuela relembrou os presentes os momentos do primeiro governo do PT, do ex-presidente Lula, afirmando que o período foi de união entre trabalhadores e empresas e que isso gerou desenvolvimento para o país. Para a representante, o crescimento é essencial para que o Brasil possa melhorar a distribuição de renda e reduzir suas desigualdades, focando especialmente nas diferenças salarias entre homens e mulheres.

Industrialização – Em seu discurso inicial, que foi em parte lido, Manuela focou no que ela chamou de reindustrialização do país que, segundo ela, é o caminho para que o Brasil possa alcançar o desenvolvimento. A candidata disse que não há dicotomia entre indústria e serviço e somente uma indústria forte poderá trazer serviços de alta capacidade para o país.

“Desindustrialização não é fatalidade. Pode ser evitada e revertida”, afirmou a representante da coligação, apresentando dado de que o processo de industrialização do país voltou ao nível da década de 1940.

Manuela disse que o PPI é recente, mas que tem dado certo, facilitando o diálogo e que pode ser mantido no governo da coligação. Sobre as agências reguladoras, ela afirmou que a atual gestão do presidente Michel Temer foi a que enfraqueceu as agências com nomeações políticas e que será preciso também dar mais recursos para o trabalho dos servidores.

Para ela, o fato das indicações do governo do presidente Michel Temer serem sem a qualidade técnica necessária tem a ver com o enfraquecimento do governo. A representante lembrou a situação complicada dos agentes públicos para tomar as decisões diante das leis, citando o caso do licenciamento ambiental, e que esse fato tem que ser revisto na reforma do estado que está em análise pela coligação.

Manuela teve uma recepção mais fria dos empresários, sem aplausos durante a apresentação, e com apenas aplau sos formais ao fim do evento.

 

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Imagem: Geraldo Lima / Abdib

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA especialmente para o portal da Abdib.