Ciro fala em uso de reservas para infraestrutura

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O candidato à presidência do PDT, Ciro Gomes, afirmou que poderá usar parte das reservas internacionais, em quantidade estimada em cerca de US$ 30 bilhões, para ajudar no financiamento de obras públicas. Segundo ele, não seria apenas essa a fonte de recursos para retomar os investimentos, que podem usar também fontes internacionais e recursos de fundos públicos. Sua prioridade seria retomar as obras paradas.

O candidato discorreu em boa parte de seu tempo no evento sobre o que ele chamou de equívoco de política econômica, que persiste desde o governo Fernando Henrique Cardoso, de estimular que o país tenha contas externas insustentáveis, com a venda de produtos de baixo valor agregado para comprar produtos de alto valor. “Isso é insustentável”, afirmou o candidato.

Ciro Gomes fez críticas duras a agências reguladoras, dizendo que sua “tentação” é acabar com elas, mas que vai ouvir o empresariado sobre o tema. De acordo com ele, a agências se tornaram “antro de ladroagem” e que nas reuniões com integrantes da ANTT tinha “medo de ter sua carteira roubada”.

Sobre o PPI, não foi menos sarcástico: “O PPI tem um defeitinho que é administrado pelo Moreira Franco. Temos que chegar lá desratizando. Mas iniciativas desse tipo têm que ser colocadas”, explicou Ciro, elogiando o modelo de diálogo promovido pelo programa.

Bolsonaro – O candidato do PDT apresentou uma versão sobre o motivo para seu adversário, Jair Bolsonaro, do PSL, estar na frente das pesquisas. Para ele, Bolsonaro representa “uma coisa profunda que ele mesmo não tem ideia. Ele está representando a negação da política. É a vontade [da população] de tocar fogo para ver se nasce alguma coisa no lugar”, disse Ciro criticando a imprensa que faz críticas ao candidato, classificando-a como “déspotas esclarecidos”.

“A Maria Antonieta não quis ouvir. O povo estava com fome e ela mandou dar brioche. Eu acredito em convulsão social porque ela já está aí. São 60 mil pessoas mortas por ano”, afirmou Ciro referindo-se aos os homicídios no país.

O candidato retrucou a crítica que recebeu do candidato do MDB, Henrique Meirelles, sobre retomada de campos de petróleo: “Qual país sério do mundo que entrega petróleo para estrangeiro?”, disse Ciro explicando que esse tipo de atitude é que prejudica a balança de pagamentos e leva o país a crises rotineiras. Na mesma linha, ele criticou o acordo da Embraer com a Boeing.

Ciro citou fortemente suas experiências em outros órgãos do governo e como governador do Ceará, apontando que isso o qualifica para propor um modelo novo de desenvolvimento para o país, e que em nenhum momento foi contra o empresariado nessas gestões. Ele afirmou que vai fazer uma reforma da previdência sem cortar direitos adquiridos.

Sobre o tempo para fazer as reformas, Ciro disse que será necessário fazê-la nos seis primeiros meses e que sua ideia é aproveitar a atual crise para trocar um novo pacto fiscal por um novo pacto federativo, dizendo que os parlamentares estão mais ligados aos governos estaduais que aos partidos. Mas Ciro acredita que a reforma da Previdência provavelmente só possa ter que ser feita por plebiscito.

Ciro foi quase tão aplaudido quanto Alckmin.

 

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Imagem: Geraldo Lima / Abdib

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA especialmente para o portal da Abdib.