Boulos quer taxar lucros para fazer investimentos

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O candidato do PSOL, Guilherme Boulos, afirmou que pretende aumentar os investimentos em proporção do PIB de menos de 2% para 4% ao ano e que isso será possível fazendo uma reforma tributária que aumente os impostos sobre renda e patrimônio.

Segundo ele, o plano de reforma tributária do partido tem potencial de arrecadar entre R$ 80 bilhões a R$ 90 bilhões ao ano com a taxação de 15% de lucros e dividendos. Para o candidato, com mais cortes em desonerações e outros recursos, seria possível um plano emergencial com valores em torno de R$ 180 bilhões ao ano para o setor. O plano será chamado Levanta Brasil.

Ele comparou o Brasil com países da OCDE para mostrar que ainda há espaço para aumento de impostos (de acordo com seus números, o país tem uma taxa de 32% do PIB em impostos, contra a média de 34% desses países) e que o imposto sobre herança no país é menor que nos EUA.

Boulos chamou o país de “disneylândia financeira”, afirmou que vai fazer controle de fluxo de capitais e usará bancos públicos para reduzir spreads bancários. Segundo ele, a política de redução de juros implementada pelos governos anteriores em bancos públicos não funcionou porque não foi feita até o fim.

Segundo o candidato, a política de austeridade fiscal deu errado e que até mesmo o FMI já reviu esse tipo de recomendação para países em crise econômica:

“Não é com reforma trabalhista e da previdência que se vai tirar o país da crise”, afirmou Boulos.

Saneamento  – O candidato do PSOL classificou como “escândalo” o país não ter saneamento para metade da população e afirmou que será “preciso um plano ousado para o saneamento básico”, mas que o investimento público será necessário para a maior parte dos locais, o que não significa que não será feito por empresas privadas. Ele citou exemplo de parceria entre público e privado o Minha Casa Minha Vida Entidades, programa que conseguiu fazer obras com mais qualidade que o programa feito por empresas, de acordo com ele.

Sobre industrialização, o candidato afirmou que o “Brasil não tem vocação para ser fazenda da China”, defendendo uma política industrial ousada mas que não pode ser pensada com retirada de direito de trabalhadores. “Não podemos ser Bangladesh, pagando um real pela hora de trabalho”.

Em relação à mobilidade, Boulos afirmou que é preciso rever a política de mandar “pobres para os rincões” e defendeu o uso de imóveis abandonados para famílias sem teto. “Para tranquilizar, não vai se ocupar a casa de ninguém daqui”, disse ele, provocando risos da plateia, e lembrando que são imóveis abandonados e não desocupados. “O conceito de cidade monocêntrica está ultrapassado”.

Boulos se colocou contrário ao PPI e afirmou que ele não é o caminho para retomar o setor de infraestrutura. Segundo ele, o setor privado deve estar direcionado para o interesse público quando se faz investimentos.

O candidato também provocou risos na platéia ao lembrar da cola do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, no último debate a presidência. “Que vergonha aquilo”, brincou. Mas não houve aplausos durante sua apresentação.

 

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Imagem: Geraldo Lima / Abdib

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA especialmente para o portal da Abdib.