Alckmin diz que enfrentará corporações

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O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, criticou a regra do teto de gastos federais e disse que ela não é necessária se houver corte de gastos. Segundo ele, a regra tem sido usada apenas para reduzir os investimentos públicos porque o governo não enfrenta as corporações do serviço público que estão ganhando aumentos salarias acima da inflação desde 2016.

“Que PEC do teto é essa, que esmaga o investimento e o custeio? Temos 20 mil leitos hospitalares fechados”, criticou o candidato em sua apresentação no evento.

Segundo ele, é essencial que as pri ncipais reformas – previdenciária, tributária, do estado e política – sejam feitas nos seis primeiros meses do mandato. Alckmin afirmou que seu plano está sendo elaborado pelos economistas que construíram o Plano Real e que vai estar pronto para começar a ser executado “em janeiro”.

“O primeiro ano é definidor”, disse Alckmin, elogiando sua própria aliança, a maior da campanha, lembrando que ela poderá facilitar o início das reformas, que precisam de alterações constitucionais, com 308 votos na Câmara. “Se para mim vai ser difícil, imagino para quem não tem”, disse o candidato tucano.

Alckmin afirmou que infraestrutura será o carro-chefe de seu governo por ser a forma mais rápida de gerar empregos, para ele o maior problema do país, com a falta de 27 milhões de postos de trabalho. “Se o Brasil não crescer, não tem solução. Vamos transformar o país num canteiro de obras. Não vamos ter crescimento sem investimento”, disse Alckmin.

Agência reguladoras – O candidato tucano voltou a afirmar que as agências reguladoras vão estar “a mil quilômetros” de distância dos partidos. Segundo ele, isso vai aumentar a segurança jurídica para os investimentos de longo prazo. O candidato também afirmou que vai fazer um grande programa de desburocratização no país.

Alckmin arrancou risos da plateia ao contar que, na noite de domingo (19), estava no Pará e usou um trecho da BR-163 entre Santarém e Rurópolis. Segundo ele, o motorista falava o tempo todo que estava chegando a parte de asfalto, para minimizar o sofrimento de quem estava no carro por causa do balanço do trecho sem asfalto.

“Mas quando chegou no asfalto… piorou. Era cada buraco”, lembrou o candidato dizendo que disse ter pedido para que o motorista fosse mais devagar. “É impressionante como tem coisa no Brasil para fazer. Coisa para fazer rápido”, afirmou o Alckmin sobre o asfaltamento da BR que já dura mais de três décadas sem estar completo.

Alckmin voltou a apresentar seu projeto de isentar impostos federais do saneamento, a Cofins e o Pasep, para que seja revertido em investimentos nesse setor. Segundo ele, o Brasil está investindo R$ 11 bilhões em saneamento quando deveria chegar aos R$ 20 bilhões. Ele afirmou ainda que a MP (Medida Provisória) que está em vigor mudando o marco do saneamento precisa de alterações e que seria melhor que ela fosse por projeto de lei.

Apesar de não ter sido aplaudido durante sua palestra, Alckmin foi o que mais arrancou aplausos ao fim de sua apresentação.

 

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Imagem: Geraldo Lima / Abdib

Conteúdo produzido pela Agência iNFRA especialmente para o portal da Abdib.