Na FGV, Abdib pede mais investimento público em complemento ao privado

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O presidente-executivo da Abdib, Venilton Tadini, ao participar do seminário Obras Públicas em Tempos de Crise, realizado pela FGV no Rio de Janeiro no dia 5 de junho, alertou que o investimento privado, isolado, não será suficiente para “dar conta de tudo”.

Tadini explicou que “é necessário explorar o potencial da participação privada sem perder de vista que o setor público sempre terá um papel importante na concepção, desenvolvimento e financiamento da infraestrutura”, lembrando que, entre países da OCDE, cerca de 70% dos recursos aplicados no setor são de fonte pública.

O presidente-executivo da Abdib lembrou aos participantes do seminário da FGV que há fatores que justificam algum grau de participação pública, como limites de custos que podem ser transferidos aos usuários, incertezas induzidas por políticas setoriais e as regras de Basileia III, que reduziram a capacidade de bancos e seguradoras de  financiar empreendimentos de infraestrutura.

Compensação – Após apresentar um diagnóstico dos desafios globais e locais diante dos governos e de investidores privados para que seja possível ampliar investimentos em infraestrutura – não só no Brasil, mas em toda a América Latina –, Tadini alertou que os aportes via PPPs não foram suficientes para compensar a redução significativa do investimento púbico na infraestrutura nos últimos anos.

O presidente-executivo da Abdib ainda explicou que a estruturação de funding é um desafio no mundo inteiro devido aos valores e prazos envolvidos, mas nos setores em que fontes de recursos e garantias foram equacionadas, o investimento privado pode crescer consideravelmente. “O investimento em infraestrutura é muito baixo em toda a América Latina. Nós temos de fortalecer as instituições e os instrumentos que permitam direcionar, captar e aplicar recursos a longo prazo nos projetos do setor”, afirmou.

Por fim, Venilton listou problemas que minam o potencial de investimento na infraestrutura brasileira: planejamento ruim, baixa capacidade de preparação de projetos, dificuldades com a execução do orçamento, atenção insuficiente à gestão de riscos e um modelo de financiamento inadequado que não usa o project finance non recourse.