Brasil entra no radar para desenvolver mercado de produtos financeiros ambientais

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Empresários e consultores se reuniram na Abdib, em São Paulo, no dia 2 de fevereiro, para avaliar as estratégias e as ações necessárias para o Brasil desenvolver um mercado pujante de produtos financeiros relacionados à redução de emissões de carbono e mudanças climáticas – chamados de “green bonds”.

O encontro contou com a presença de Justine Leigh-Bell, diretora de Desenvolvimento de Mercado da Climate Bonds Initiative, Frederico Turolla, sócio da Pezco Pesquisa e Consultoria, representante do BNDES, de empresas associadas e consultores.

No encontro, a diretora da Climate Bonds Initiative descreveu a evolução global do mercado de títulos financeiros relacionados à redução de emissões de carbono e avaliou o potencial que está diante do Brasil: se transformar em líder regional de serviços financeiros verdes.

Os participantes discutiram aspectos relacionados ao potencial brasileiro e às dificuldades para desenvolver o mercado nacional de “green bonds”. Além disso, programaram novos encontros, com ações e grupos de trabalho.

Turolla apresentou os assuntos essenciais que precisam ser discutidos e as ações necessárias para o Brasil contar com um plano estratégico para desenvolver internamente o mercado financeiro com apelo ambiental. Os setores de infraestrutura são plataforma para a evolução dos “green bonds”, que podem ajudar a viabilizar a estrutura de financiamento de empreendimentos de energia, transportes e saneamento básico, por exemplo. “Queremos avaliar os entraves que devem ser removidos e construir os mecanismos”, disse.

“O Brasil apresenta grande potencial de emissão de títulos ambientais como instrumento para financiar setores com apelo para reduzir emissões de carbono, como agronegócio, papel e celulose, energia renovável e infraestrutura como um todo”, disse Justine, adicionando ainda áreas como infraestrutura urbana, mobilidade urbana, eficiência energética, iluminação pública e água e esgoto.

Para ela, resta o desafio de criar as condições que aceleram o fluxo de investimento ambiental, garantindo aos investidores um retorno de longo prazo estável. Na agenda de discussões para desenvolver esse mercado, consta assuntos como regulação, organização de mercados, incentivos governamentais, oferta de produtos financeiros e garantias.

Segundo a diretora do Climate Bonds Initiative, o total de emissão de títulos financeiros ambientais no Brasil somou US$ 3 bilhões – boa parte ligados ao setor de transporte público, trens urbanos e metrô. O setor elétrico é o segundo maior emissor, sobretudo por causa das fontes de energia renováveis.

Segundo Justine, reguladores do mercado de capitais e de fundos de pensão, bem como bancos de desenvolvimento, bancos comerciais e associações empresariais, têm papel primordial para estimular o mercado e superar a baixa liquidez do segmento de títulos corporativos.