Abdib apresenta no Ministério da Indústria plano para reindustrialização

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Executivos da Abdib participaram, no último dia 8 de dezembro, de audiência com o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, em Brasília, para apresentar e discutir um plano para reindustrialização da economia e a política de conteúdo local.

Pela Abdib, estiveram presentes Venilton Tadini (presidente-executivo), Ralph Terra (vice-presidente-executivo), Igor Rocha (Diretor de Planejamento e Economia), José Maria de Paula Garcia (Diretor de Comitês) e Marcos Cintra (Comitê de Petróleo e Gás).

Durante o encontro, foram abordadas questões econômicas, tais como câmbio e taxa de juros, importância da indústria de transformação e o Pedefor, programa de fortalecimento da indústria fornecedora de bens e serviços para o setor de petróleo e gás natural.

Após uma apresentação do diagnóstico sobre os fatores históricos e estruturais que solaparam o dinamismo da indústria nacional, foram apresentadas propostas que abrangem as esferas micro e macroeconômicas. Adicionalmente, foi destacada a importância da indústria de transformação para a retomada e crescimento sustentável da economia brasileira.

Neste pano de fundo, os executivos da Abdib procuraram desmistificar argumentos equivocados sobre a não efetividade da politica industrial na estruturação de uma base produtiva dinâmica. Foi destacado que não há sentido negligenciar políticas industriais seletivas com o argumento de que promovem distorções no mercado, uma vez que estas distorções são escolhas estratégicas do modelo de crescimento a ser adotado pelos países.

Exemplos históricos não faltam, segundo Igor Rocha, diretor de Planejamento e Economia da Abdib. Os atuais países desenvolvidos percorreram este caminho, como Bélgica, Suíça, França e, posteriormente, Estados Unidos. Contemporaneamente, os países asiáticos são exemplo, notadamente Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e mais recentemente China.

Câmbio e juros – No âmbito macroeconômico foi tratada da necessidade de se adotar uma taxa de câmbio que estimule a inserção dos produtos manufaturados brasileiros no mercado internacional. Testes econométricos mostram a necessidade de se estabelecer uma banda entre R$ 3,60 e R$ 3,80.

Na esfera macroeconômica foi colocada, ainda, a necessidade de se iniciar o processo de redução das taxas de juros e uma nova forma de gestão da política monetária. Na opinião da Abdib, aumentos das taxas de juros devem ser utilizados apenas para o combate da inflação de demanda.

Por fim, mas não menos importante, foi destacado o imperativo de focar a política de conteúdo nacional foque setores estratégicos. Tal política visa dar amparo à chamada indústria nascente, mas deve estar condicionada a setores de média e alta tecnologia. Ademais, com objetivos e prazos pré-determinados, de modo a não onerar a economia com setores que não se desenvolvam para inserção competitiva no mercado internacional.