Governos e empresários do Brasil e dos Estados Unidos discutem mecanismos para viabilizar investimentos em infraestrutura

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O presidente-executivo da Abdib, Venilton Tadini, participa do painel de abertura da 1ª Reunião Anual Brasil – Estados Unidos sobre Desenvolvimento de Infraestrutura, realizada no Ministério do Planejamento, em Brasília. O encontro é uma das atividades previstas no Memorando de Cooperação Bilateral para o Desenvolvimento de Infraestrutura entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, assinado em março de 2016. 

O encontro conta com a presença de Dyogo Henrique de Oliveira, ministro do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Liliana Ayalde, embaixadora dos Estados Unidos da América no Brasil, e Maurício Quintella, ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil.

O objetivo do evento é estimular a participação do setor privado em projetos de infraestrutura de ambos os países, compartilhando informações e disponibilizando acesso a programas e mecanismos entre os países para viabilizar investimentos.

No dia anterior, 7 de dezembro, a Abdib sediou um encontro entre integrantes da comissão de especialistas dos Estados Unidos e empresários do setor de infraestrutura envolvendo diversos órgãos públicos dos EUA, como Departamento de Transportes, Departamento do Tesouro e Agência de Desenvolvimento e Comércio.

No encontro realizado na Abdib, os integrantes das diversas agências do governo dos Estados Unidos envolvidas em ações de desenvolvimento da infraestrutura explicaram a governança e o funcionamento dos órgãos e as características de programas que podem oferecer apoio financeiro e assistência técnica para a viabilização de projetos de infraestrutura em países parceiros com presença de empresas norte-americanas.

O presidente-executivo da Abdib, Venilton Tadini, perguntou como funciona, nos Estados Unidos, o sistema de financiamento de empreendimentos de infraestrutura pela modalidade project finance sem garantias corporativas, pelo qual apenas as receitas futuras do projeto servem como prestação de garantia para a tomada dos financiamentos.

Lauro Celidonio, conselheiro da Abdib e coordenador do Comitê Legal e Tributário da entidade, perguntou sobre como o risco cambial é tratado nos investimentos de infraestrutura em outros países nos quais as agências do governo norte-americano participam.

Para Tadini, os palestrantes informaram que precisam identificar mais detalhes para sugerir soluções para a transição do modelo brasileiro, baseado em garantias corporativas, para o modelo vigente nos Estados Unidos, com forte participação do sistema financeiro privado e baseado em garantias do projeto. Mesmo assim, listaram ações necessárias como boa distribuição de riscos, mecanismos de proteção e de garantias e participação de bancos diversos.

Para Celidonio, foi apresentado como exemplo o tratamento ao risco cambial que ocorre em projetos de infraestrutura no Peru, onde parte do risco é do governo federal local. Países com inflação controlada no longo prazo, maior abertura comercial e pauta de exportações robusta e perene oferecem menos riscos cambiais, disseram os especialistas.