Investidores fazem coro por project finance para financiar infraestrutura

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As condições insatisfatórias para a estruturação de financiamento dos projetos de infraestrutura têm sido apontadas pelos empresários como um dos principais fatores que desafiam a retomada dos investimentos no setor. Além da utilização de todas as fontes de financiamento disponíveis – bacos de fomento, mercado de capitais, recursos externos e e setor financeiro –, o setor privado aumentou o tom na defesa da modalidade de ‘project finance’ sem garantias corporativas para financiar os investimentos em concessões.

Segundo a Abdib, a retomada do investimento em infraestrutura na dimensão que a economia precisa – dos atuais 2,1% do PIB (cerca de R$ 130 bilhões) para 5,0% do PIB (cerca de R$ 300 bilhões) ao ano – vai depender da utilização de todas as fontes de financiamento disponíveis, o que inclui necessariamente recursos externos e o mercado de capitais interno, além das já tradicionais fontes oficiais.

Venilton Tadini, presidente-executivo da Abdib, avalia que taxas de juros e de câmbio influenciam diretamente na oferta e nas condições de financiamento de longo prazo para os investimentos em infraestrutura. O atual patamar da taxa Selic – em 14,25% ao ano – inibe a captação de recursos no mercado de capitais na medida em que as taxas de retorno dos projetos são insuficientes para remuneração dos juros. Da mesma forma, a volatilidade excessiva da taxa de câmbio adiciona um grau de incerteza sobre os passivos das empresas e sobre o retorno dos investidores.

Distribuição de riscos – Segundo o diretor da Marsh Corretora de Seguros, Marcelo Elias, há potencial para seguradoras e fundos de pensão serem investidores na infraestrutura. Frisou o avanço ocorrido na atividade resseguradora – uma empresa atuava no Brasil em 2008 e hoje há cem delas – e defendeu a adoção do project finance sem garantias corporativas, com riscos distribuídos eficientemente e bem avaliados.

Bruno Costa, presidente da Barbosa Mello Participações, apontou que a inexistência do project finance sem garantias corporativas continua a ser uma necessidade e um desafio. Sem isso, o país não vai ultrapassar 2% sobre o PIB de investimentos em infraestrutura.  Ele ainda lembrou que os juros elevados prejudicam a participação do mercado de capitais.

Paulo Godoy, presidente da Alupar, analisou que é necessário criar as condições para haver funding de longo prazo para financiar a infraestrutura – e que o ingrediente fundamental para isso é a rentabilidade adequada dos projetos. Godoy disse que é preciso reduzir a dependência dos investidores com relação ao crédito ao custo de TJLP para financiar a expansão da infraestrutura e defendeu o project finance como modalidade para financiar os investimentos.

Paulo Ricardo Stark, presidente da Siemens, lembrou que há claramente alguns aspectos que hoje são impedidores do crescimento: juros altos que dificulta avanço do mercado de capitais e volatilidade cambial que fecha as portas para o investimento estrangeiro. Para ele, as empresas brasileiras não têm espaço adicional em balanço para oferecer garantias no montante necessário. Stark defendeu a criação de mecanismos de proteção cambial para atrair recursos externos.

 

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