Para José Serra, ajuste fiscal deve facilitar investimentos e financiamentos

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O ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse que tem esperança que o ajuste fiscal permita uma expansão dos financiamentos do BNDES e também facilite a queda da taxa de juros, ambos componentes importantes para viabilizar investimentos em infraestrutura.

Serra participou do seminário “Soluções para a Expansão da Infraestrutura no Brasil”, organizado hoje em São Paulo pela Associação Brasileira da Indústria de Base (Abdib) e Câmara de Comércio Americana (Amcham) no dia 21 de outubro, em São Paulo.

Para o ministro, a taxa básica de juros tem um papel importante no sucesso dos projetos de concessão de infraestrutura. “Se o piso é a Selic já é complicado, quando a Selic sobe a concessão fica limitada. Aí tem que ter subsídio público, entra no problema fiscal. A concessão também é variável importante do esquema financeiro, uma coisa crítica, que precisa de subsídio público”, disse Serra.

Nova política – Sobre comércio exterior, o ministro explicou que a nova política brasileira aposta na reciprocidade e em maior agressividade comercial. Serra explicou aos empresários que, para isso, houve uma reestruturação na Camex, onde a execução desta política está centralizada, e que haverá mais informações á disposição do exportador e do investidor externo com a criação de um portal e de um ombudsman.

O ministro ainda afirmou que outros países são muito mais agressivos que o Brasil na imposição de barreiras sanitárias e fitossanitárias como medidas protecionistas. Só nos Estados Unidos, disse o ministro, há 174 medidas sanitárias e fitossanitárias que tornaram-se vigentes entre 2013 e 2016, seguidos por União Europeia (45) e Canadá (35). No mesmo período, o Brasil editou 22 medidas. No caso das barreiras técnicas, os EUA editaram 200 medidas, seguidos por China (74), Canadá (60) e União Europeia. O Brasil editou 15.

Proteção cambial – O ministro das Relações Exteriores, José Serra, considerou interessante uma proposta apresentada a ele pelo presidente-executivo da Abdib, Venilton Tadini, que descreve a criação de um fundo de proteção contra risco cambial no âmbito do New Development Bank (NDB), mais conhecido como Banco dos BRICS. Com o fundo, a Abdib considera que torna-se mais factível a atração de recursos externos para os programas de concessões em infraestrutura.