Abdib e Amcham promovem seminário dia 21 para discutir soluções para infraestrutura

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A Abdib e a Amcham organizam um grande seminário – Soluções para a Expansão da Infraestrutura no Brasil – no dia 21 de outubro em São Paulo para debater propostas para entraves transversais que retardam investimentos em infraestrutura.

A lista é extensa: desapropriações e licenciamento ambiental, insegurança jurídica e respeito a contratos, independência e eficiência das agências reguladoras e diversificação das opções de financiamento de longo prazo.

Um dos principais temas em discussão aparece já no primeiro painel. Os empresários consideram a harmonia entre os três poderes da República e a articulação entre os órgãos públicos fatores essenciais para criar estabilidade e retomar o crescimento.

Para a plateia, os organizadores esperam 700 pessoas. Para o palco, foram convidados os chefes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, ministros e presidentes de órgãos públicos e agências reguladoras.

As autoridades vão dividir o palco com mais de uma dezena de presidentes de grandes companhias de infraestrutura em quatro grandes sessões ao longo do dia. O primeiro painel, na abertura, foi escolhido cirurgicamente. Trata da necessidade de haver articulação entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para impulsionar o crescimento econômico.

Presenças confirmadas – O presidente da República, Michel Temer, foi convidado para o encerramento do seminário. Ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Dyogo de Oliveira (Planejamento) já confirmaram presença. Moreira Franco, secretário do Programa de Parceria de Investimentos (PPI) é outra autoridade federal com presença confirmada.

Do lado das agências reguladoras, estão confirmados os presidentes da ANTT (transportes), Jorge Luiz Macedo Bastos, e da Aneel (energia elétrica), Romeu Donizete Rufino. Wilson Ferreira, presidente da Eletrobras, e Gilberto Occhi, presidente da Caixa, também estão confirmados.

Crises comparadas – O presidente-executivo da Abdib, Venilton Tadini, compara a recessão pela qual passa o país hoje com outras crises econômicas bastante restritivas que impactaram o país nas décadas passadas.

Segundo a avaliação de Tadini, nos anos 30, a queda internacional do preço do café, carro-chefe da economia e da pauta de exportação brasileira, despencou. Na tentativa governamental de segurar os preços, a situação derivou para um déficit público enorme e crise no balanço de pagamentos.

Já na década de 80, avalia o presidente-executivo da Abdib, um choque externo muito forte – aumento dos juros nos EUA e do preço do petróleo – fragilizou as economias emergentes. No Brasil, o resultado foi a crise da dívida externa e a hiperinflação que, entre 1985 e 1994, registrou média anual de 1.000%. Em 1989, a inflação atingiu quase 2.000% e, em 1993, quase 2.500% ao ano.

Desarticulação política – Na crise atual, a desarticulação política influencia muito. “Hoje, o Brasil tem reservas robustas, o desarranjo nas contas públicas não tem a proporção que tinha no passado e não há risco de espiral inflacionária. Os efeitos que temos hoje são bastante impactados pela crise política e falta de articulação e harmonia entre os Poderes.”

Pesquisa Amcham realizada entre 155 diretores financeiros do país no dia 23 de agosto aponta para a mesma direção. Para 65% deles, o principal fator da crise no Brasil é politico, em decorrência dos conflitos partidários e de governo. O fator econômico é visto por 32%, citando como causa a situação fiscal enfrentada pelo governo. Só 2% enxergam a influência externa e a desaceleração das grandes economias globais.