Abdib quer mudança no financiamento para suportar R$ 300 bi em investimentos por ano na infraestrutura

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O presidente-executivo da Abdib, Venilton Tadini, defendeu que o Brasil adote uma política industrial que esteja atrelada à política macroeconômica, sobretudo às decisões referentes a taxas de juros e câmbio. A diretriz foi sugerida no Seminário Brasil 2017 – Perspectivas para o País, organizado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) em São Paulo, no qual discutiu as perspectivas de diversos setores econômicos.

Tadini lembrou que a participação da indústria de transformação foi reduzida a quase 10% do PIB, depois de atingir quase 30% do PIB há 20 anos. Para ele, o país tem de executar um apolítica cambial efetiva para impedir a valorização excessiva do câmbio. Um dos motivos é a taxa de juros elevada, que atrai recursos estrangeiros interessados em ganhos instantâneos e isso impacta diretamente na valorização da moeda local em relação ao dólar – e não há eficiência que compense a taxa de câmbio valorizada excessivamente, explicou Tadini.

Além de avaliar a perspectiva para o setor industrial, Tadini também abordou perspectivas para o setor de infraestrutura. Ele acredita que a retomada do crescimento econômico brasileiro que deve ocorrer a partir de 2017 será liderada pela atividade setor industrial, e não via investimentos em energia e transportes, por exemplo.

O presidente-executivo da Abdib elogiou a instituição do Programa de Parceria de Investimentos (PPI) e do Projeto Crescer na medida em que eles buscam reorganizar a capacidade de planejamento, de articulação e de governança entre os órgãos públicos que são responsáveis pela condução dos projetos de infraestrutura no lado governamental.

Financiamento dos projetos – No entanto, Tadini fez questão de ressaltar que nada disso será suficiente se o Brasil não mudar a forma de financiar os investimentos de infraestrutura. Ele defendeu a adoção da modalidade “project finance” sem o uso de garantias corporativas. Nesse caso, a garantia ao financiamento de longo prazo é a própria capacidade de geração de receitas do empreendimento.

O presidente-executivo da Abdib apontou a necessidade de investir R$ 300 bilhões em infraestrutura por ano, considerando setores como energia elétrica, transportes, telecomunicações e saneamento básico. Isso representa cerca de 5% do PIB. “Mas não estamos conseguindo investir nem metade disso”, disse.

Para um investimento dessa magnitude com empresas sem condições de oferecer garantias corporativas, pois já há uma carteira de projetos contratados atrelados a estas garantias, o único caminho é financiar via “project finance”. Caso contrário, disse Tadini, a retomada do investimento e do crescimento econômico será um “voo de galinha”.

Garantias e seguradoras – Para tadini, o mundo está líquido em recursos e a atração de investimentos não deveria ser um problema. “Mas precisamos resolver três frentes: sistema de garantias para as concessões, criação de debêntures de infraestrutura para trazer recursos do mercado de capitais e fim da volatilidade das taxas de juros.”

O atual patamar de taxa de juros, segundo avaliação do presidente-executivo da Abdib, além de valorizar o câmbio e prejudicar o desempenho da indústria, inibe a emissão de debêntures para compor a estrutura de capital dos projetos.

Outra medida necessária é haver melhor distribuição e cobertura dos riscos intrínsecos aos investimentos e o fortalecimento do papel das seguradas, que terão de aperfeiçoar a capacidade de acompanhar e fiscalizar a condução dos projetos de investimentos e melhorar a exequibilidade das apólices de seguros.