Processo de impeachment não atrapalha ajuste fiscal, diz Levy

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O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, negou nesta sexta-feira (4) que a abertura de um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff possa atrapalhar o esforço de ajuste fiscal do governo. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), em São Paulo.

“Acho que o impeachment, ao contrário, não atrapalha em nada. É um motivador para trazer mais transparência e reafirmar os compromissos da atividade econômica”, afirmou a jornalistas.

Segundo o ministro, não é segredo que a incerteza política tem afetado o PIB e, desde maio, a arrecadação. “Acho que trazer clareza a esse processo é positivo. A presidente teve muita tranquilidade em deixar claro que se havia uma vontade reprimida de avançar no processo não há porque recear”, acrescentou.

Levy afirmou também que uma possível relação entre o impeachment e um maior risco de rebaixamento da nota do país vai depender “do futuro que a gente vai construir”. “As agências querem saber qual o compromisso que o governo e o Congresso têm com o crescimento e em cumprir seus contratos”.

O ministro disse acreditar que o risco de rebaixamento será afastado se o governo conseguir provar seu compromisso com a meta fiscal de superávit de 2016 (economia para pagar os juros da dívida pública – que foi fixada em 0,7% do PIB).

Neste sentido, Levy mostrou-se confiante com a disposição do Congresso em aprovar as MPs e outras medidas do ajuste fiscal. “Eles sabem que o povo brasileiro está esperando a votação desses temas. Nossos representantes lá no Congresso estão muito conscientes disso e têm procurado ajudar de inúmeras maneiras. As votações das últimas semanas têm mostrado isso”, disse.

Projetos de infraestrutura

Após o encontro com representantes da indústria de base, Levy reconheceu a necessidade de mudanças para criar um novo ambiente para o desenvolvimento de projetos de infraestrutura. O ministro disse que a redução dos custos é o que vai permitir o aumento da produtividade e dos salários e melhorar a qualidade dos editais para atrair mais participantes em concessões.

Segundo Levy, o governo reuniu um grupo de juristas especializados em infraestrutura e concessões para desenhar leis que deem segurança de modo a atrair investimentos para novos projetos. “Já falamos com o setor de construção civil e a repercussão foi muito boa e agora estamos discutindo com várias empresas da indústria de base.”

BTG Pactual
Levy também negou que a atual situação do banco BTG Pactual – que pediu nesta sexta ajuda financeira de até R$ 6 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – represente um risco para o sistema financeiro do país. O pedido veio depois da prisão do banqueiro André Esteves, suspeito de tentar interferir nas investigações da operação Lava Jato.

Depois da prisão, o BTG sofreu queda de mais de 30% no valor de seus papéis na bolsa e perdeu o grau de investimento. “O sistema financeiro brasileiro é extremamente sólido. (…) Os novos controladores estão levando com muita seriedade tudo o que precisam fazer. Dada a resiliência do nosso sistema bancário não temos que ter receio nenhum a esse episódio”, disse o ministro.